A surpreendente recuperação das vendas do varejo

De acordo com o IBGE, o volume de vendas do comércio varejista em julho cresceu 5,2% em relação ao mês anterior, depois de altas de 8,5% em junho e de 13,3% em maio

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

13 de setembro de 2020 | 05h00

É surpreendente a rápida recuperação das vendas do varejo. Passados três meses da acentuada queda provocada pelo isolamento social decorrente da pandemia de covid-19, essas vendas alcançaram, em julho, praticamente o nível recorde que haviam registrado em 2014. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o volume de vendas do comércio varejista em julho cresceu 5,2% em relação ao mês anterior, depois de altas de 8,5% em junho e de 13,3% em maio.

Já em junho o indicador geral do comércio mostrava que as perdas causadas pela pandemia já tinham sido recuperadas. O resultado de julho, em volume de vendas, é 5,5% maior do que o de um ano antes. Trata-se do melhor resultado na comparação interanual para julho desde 2013.

O resultado dos sete primeiros meses de 2020 ainda é 1,8% menor do que o igual período de 2019, mas o acumulado de 12 meses supera em 0,2% o do período anterior.

O volume vendido em julho é apenas 0,1% menor do que o recorde alcançado em outubro de 2014, período que antecedeu a recessão decorrente dos desmandos da política econômica do governo petista de Dilma Rousseff.

Este ano, como observou o analista da Coordenação de Serviços e Comércio do IBGE Cristiano Santos, “está muito atípico”. A quedas acentuadas sucedem-se altas expressivas e consecutivas. O fato de o mercado de trabalho continuar em crise, expressa em altas taxas de desemprego e de trabalho informal, torna ainda mais inusitado o desempenho do comércio varejista.

A recuperação está diretamente vinculada ao auxílio emergencial pago pelo governo para as camadas de renda mais baixa, bem como à alimentação na residência decorrente do isolamento social, que fez crescer as vendas dos supermercados. Embora o volume de vendas em julho de super e hipermercados tenha sido igual ao de junho, na comparação com o mesmo mês de 2019 aumentou 11,7%.

Mais surpreendente é o aumento do volume de vendas de móveis e eletrodomésticos, de 4,5% sobre junho e de 26,4% sobre julho de 2019.

Também no comércio varejista ampliado (que inclui veículos, motos e material de construção) as vendas de julho já superaram as do ano anterior. No acumulado do ano e dos últimos 12 meses, no entanto, os resultados continuam negativos.

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