A surpresa do mercado de trabalho formal

Em julho, de acordo com os dados do Caged, foram abertas liquidamente mais de 131 mil vagas com carteira assinada

Notas & Informações, O Estado de S. Paulo

28 de agosto de 2020 | 03h00

A reação demonstrada pelo mercado de trabalho formal em julho é vigorosa e surpreendente. O aumento do número de empregos com carteira assinada é o mais expressivo para o mês de julho desde 2012 e esse resultado positivo surge apenas quatro meses depois de a pandemia ter começado a destruir empregos vorazmente. Em julho, de acordo com os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério da Economia, foram abertas liquidamente 131.010 vagas com carteira assinada (1.043.650 admissões e 912.640 demissões).

Resultados negativos foram registrados de março a junho. Em abril, mês em que a crise sanitária atingiu mais fortemente a economia brasileira, foram fechados liquidamente 927,6 mil postos de trabalho formais no País. Por isso, embora notável, o aumento de postos de trabalho em julho ainda é insuficiente para reverter o resultado acumulado do ano. Nos sete primeiros meses de 2020, o mercado de trabalho formal fechou 1,043 milhão de vagas.

Há motivos para otimismo, embora pareça haver algum exagero na reação de membros do governo federal. “O resultado mostra que retomamos o ritmo de criação de empregos”, disse o ministro da Economia, Paulo Guedes. O economista José Márcio Camargo, professor do Departamento de Economia da PUC-RJ, considera que é preciso avaliar se a retomada observada agora terá sustentabilidade. Ainda não é possível afirmar que a recuperação será acentuada, ou em “V”, como dizem os economistas, ou se será mais amena.

Um dado interessante é o fato de que, das vagas criadas em julho, 104,4 mil foram ocupadas por jovens de até 24 anos. Com resultado bem inferior vem o número de vagas ocupadas por trabalhadores de 25 a 29 anos (31,9 mil). Já entre trabalhadores com mais de 50 anos, o resultado foi negativo (38 mil demissões).

Esses números parecem sugerir preocupação com a criação de oportunidades de trabalho para jovens, muitos dos quais em busca do primeiro emprego. O que está ocorrendo, porém, deve ser outro fenômeno. Na pandemia, os trabalhadores mais atingidos pelo desemprego foram os de baixa qualificação. Com a gradual retomada da atividade econômica, são essas ocupações que estão sendo preenchidas, com trabalhadores de pouca experiência e remuneração menor.

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