Afinal, o crédito está chegando às empresas

Tornar efetivas as medidas destinadas a permitir que as empresas tenham mais resistência à crise estava sendo um dos mais difíceis desafios do Ministério da Economia

Redação, O Estado de S.Paulo

23 de agosto de 2020 | 03h00

O dinheiro dos programas especiais de crédito criados pelo governo para as empresas poderem enfrentar a pandemia do novo coronavírus está, afinal, chegando àqueles que realmente dele necessitam. Tornar efetivas as medidas destinadas a permitir que as empresas, em particular as micro e pequenas, tenham mais resistência à crise estava sendo um dos mais difíceis desafios do Ministério da Economia. O dinheiro está chegando à ponta, anunciou o ministro da Economia, Paulo Guedes, na cerimônia de sanção das leis que resultaram da aprovação de duas medidas provisórias que tratam do assunto.

De fato, está chegando, mas ainda em volume limitado, de acordo com levantamento feito pelo Broadcast, serviço de informação econômica em tempo real da Agência Estado. Após críticas à demora para a liberação dos financiamentos, o saldo da quantia emprestada superou R$ 34 bilhões.

O ministro disse que não haverá um novo ciclo de medidas de crédito, mas, com os programas já em operação, nos próximos meses virão de R$ 200 bilhões a R$ 300 bilhões. “Vai ter muito crédito para empurrar a economia”, garantiu Guedes.

Redistribuição de recursos já alocados e flexibilização de condições de concessão dos créditos poderão estimular operações maiores que as já realizadas.

Até agora, a iniciativa do governo que mais êxito alcançou foi o Programa de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Pronampe), que consumiu o orçamento de R$ 18,7 bilhões e disporá de mais R$ 12 bilhões. Bancos privados que ainda não haviam aderido ao programa devem participar de sua segunda etapa.

Outros dois programas exclusivamente de crédito, com o objetivo de injetar liquidez no sistema, estão sendo operados. Um deles, o Programa Emergencial de Acesso ao Crédito (Peac), voltado para empresas de porte médio, contabiliza operações que totalizam R$ 11,2 bilhões.

O outro, o Programa Emergencial de Suporte a Empregos (Pese), destinado a empresas com receita bruta anual entre R$ 360 mil e R$ 10 milhões, totaliza, até agora, operações de R$ 4,5 bilhões. A exigência de não demissão para as empresas tomadoras dessa modalidade de empréstimo limitou o alcance do programa. “Flexibilizamos e esperamos mais do que dobrar seu alcance e atingir 200 mil empresas”, previu o ministro da Economia.

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