Alta da carne ainda pressiona a inflação

Além das carnes bovina e suína, a de frango também subiu; aceleração da alta do frango mostra que esse produto passou a substituir parte do consumo dos dois primeiros e acabou também tendo seus preços pressionados

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

24 de janeiro de 2020 | 04h00

Embora tenha perdido força, a alta no preço das carnes continua a ser o principal fator de pressão da inflação. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15), calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), subiu 0,71% em janeiro, variação bem menor do que a de dezembro (de 1,05%), mas, ainda assim, o maior resultado para o mês desde 2016. As carnes tinham subido 17,71% em dezembro e subiram 4,83% em janeiro. Continuaram sendo o item de maior impacto na variação do IPCA-15, para o qual tiveram contribuição de 0,15 ponto porcentual.

Entre os grupos que compõem o IPCA, o de alimentação teve aumento de 2,30% em janeiro. O aumento do custo da alimentação tem peso maior no orçamento das famílias de renda mais baixa. Além das carnes bovina e suína, a de frango também subiu. A aceleração da alta do frango, de 2,43% em dezembro para 4,96% em janeiro, mostra que esse produto passou a substituir parte do consumo dos dois primeiros e acabou também tendo seus preços pressionados.

O aumento dos combustíveis pressionou os gastos das famílias com transportes, que em média subiram 0,92% em janeiro e responderam por 0,17 ponto porcentual do IPCA-15 do mês. Já os gastos com o grupo habitação diminuíram 0,14% em razão, principalmente, da redução de 2,11% da tarifa de energia elétrica.

A alta dos preços é mais generalizada em janeiro do que foi em dezembro. O índice de difusão, que mede quanto a elevação dos preços se espalha pelos diferentes itens que compõem o IPCA, passou de 55,6% para 67,7%.

Mas a análise predominante entre os economistas de instituições financeiras e consultorias privadas é de que a aceleração dos principais componentes do IPCA em janeiro ainda não é forte o bastante para alterar um cenário otimista para o comportamento médio dos preços em 2020.

Há fatores que dão consistência a essa avaliação. Ainda há muita capacidade ociosa que, nos primeiros momentos de um esperado aumento da demanda, permitirá às empresas ampliar sua produção sem gerar pressão sobre os custos. É alta também a taxa de desemprego, o que tende a conter as pressões por aumentos salariais em período de expansão da economia. E, por fim, as perspectivas para o curto prazo são de uma expansão bastante modesta do PIB.

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