Alta pausada do comércio varejista

Há convicção de que o crescimento do Produto Interno Bruto será igual ou superior a 1% em 2019

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

14 de dezembro de 2019 | 05h00

Os indicadores de outubro do comércio varejista cresceram pelo sexto mês consecutivo e foram bem recebidos pelos analistas. É importante registrar o crescimento, nas comparações de longo prazo, do comércio de bens de primeira necessidade, como alimentação, mostrando que os benefícios da retomada chegam às famílias de menor renda, as que mais consomem itens básicos.

Entre setembro e outubro, com ajuste sazonal, as vendas no chamado varejo restrito cresceram 0,1%, porcentual que sobe para 0,8% no varejo ampliado, que inclui autos e material de construção.

Em 12 meses, o volume de vendas do varejo restrito subiu 1,8% e o do varejo ampliado, 3,8%. O item veículos e motos, partes e peças registrou crescimento firme e tem maior peso relativo, mas o item material de construção demonstra bom desempenho: avançou 2,1% em relação a setembro, 3,5% em 12 meses e 6,5% entre os meses de outubro de 2018 e de 2019.

Os números extraídos da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) reforçam a convicção de que o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2019 será igual ou superior a 1%.

O peso do varejo no PIB, de cerca de 10%, não define a intensidade da retomada econômica, mas, ao distribuir bens industriais, o comércio reflete também a melhora da atividade do setor secundário.

Entre outubro de 2018 e outubro de 2019, segundo a PMC, as vendas do varejo restrito cresceram em 22 das 27 áreas pesquisadas; e as do varejo ampliado, em 25 das 27 unidades da Federação. No varejo ampliado, altas maiores foram observadas em São Paulo (+7,3%), Santa Catarina (+12,5%) e Minas Gerais (+4,6%).

É presumível que os resultados do varejo continuem no campo positivo no último bimestre do ano. Em novembro, as vendas foram ajudadas pela Black Friday. Dezembro também tem boas expectativas. O economista-chefe da SCPC Boa Vista, da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), Flávio Calife, prevê um crescimento das vendas de Natal de 4% em relação às de 2018. O emprego, disse ele ao Broadcast, serviço noticioso da Agência Estado, conta mais do que a liberação dos recursos do FGTS e do que juros e inflação mais baixos – fatores que mereceram mais destaque dos analistas do IBGE.

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