Apesar da crise, consumo mundial de café aumenta

Se não tivesse havido uma 'escalada da demanda' nos primeiros meses da pandemia, talvez o resultado fosse negativo

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

26 de setembro de 2020 | 03h00

A estimativa de consumo mundial de café no ano cafeeiro 2019-2020 mostra dois impactos da pandemia do novo coronavírus, um no sentido inverso do outro. Em sua edição relativa a agosto, o Relatório sobre o Mercado de Café elaborado pela Organização Internacional do Café (OIC) estima que, no atual ano cafeeiro (iniciado em outubro do ano passado), o consumo mundial alcançará 168,39 milhões de sacas de 60 quilos. Isso representa crescimento de 0,3% em relação ao consumo do ano cafeeiro anterior, que foi de 167,84 milhões de sacas. No ano anterior, o crescimento do consumo tinha sido de 5%.

Se não tivesse havido uma “escalada da demanda” nos primeiros meses da pandemia, talvez o resultado final fosse negativo. Mas parte dos ganhos com o aumento do consumo no início da pandemia, estimulado sobretudo pela demanda doméstica decorrente das medidas de isolamento social, pode ter se esvaído nos meses seguintes, quando a intensificação da crise econômica mundial – igualmente decorrente da pandemia – afetou a atividade produtiva, o consumo, o emprego e a renda de modo muito intenso.

O fim do ano cafeeiro é marcado por “uma recuperação limitada do consumo fora de casa”, diz o Relatório, sem fazer projeções para os próximos meses. Mas o resultado das exportações mundiais em julho sugere que essa recuperação é tênue. Naquele mês, as exportações foram de 10,61 milhões de sacas, 11% menos do que um ano antes. Nos dez primeiros meses do ano cafeeiro, as exportações alcançaram 106,59 milhões de sacas, 5,3% menos do que em igual período do ano anterior.

A produção mundial no ano cafeeiro 2019-2020 está prevista em 169,34 milhões de sacas, 2,2% menor que a do ano anterior. O balanço entre produção e consumo resulta em superávit de 952 mil sacas.

O Brasil é o principal produtor mundial. No ano-safra 2019-2020 nacional, que terminou em março, a produção alcançou 58 milhões de sacas, com queda de 10,9% em relação à safra anterior. A produção de café arábica, que responde por quase dois terços do total colhido no País, diminuiu 17,4%, para 37,12 milhões de sacas, e a de café robusta aumentou 3,4%, para 20,88 milhões de sacas.

A safra do Vietnã, segundo maior produtor mundial, terminou antes do início da pandemia e alcançou 31,5 milhões de sacas, com aumento de 0,7%

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