Argentina dá o primeiro passo da recuperação

Contudo, ainda não se sabe como Alberto Fernández irá impulsionar uma economia que, neste ano, deve encolher 10%

Notas & Informações, O Estado de S. Paulo

06 de agosto de 2020 | 03h00

O acordo fechado pela Argentina com três grupos de credores para reestruturar uma dívida de US$ 65 bilhões tira o país da incômoda condição de moratória técnica, remove um grave problema que poderia dificultar a recuperação da economia nacional, mas está longe de representar a solução das dificuldades que prejudicam seu crescimento e fazem aumentar a pobreza.

O acerto com os credores é um passo importante, mas ainda não se sabe como o governo do presidente Alberto Fernández pretende impulsionar uma economia que, neste ano, deve encolher 10%, de acordo com projeções recentes do Fundo Monetário Internacional (FMI). Instituições privadas projetam retração de até 13% do PIB do país em 2020. O Brasil, que nos últimos anos vem tendo a Argentina como principal destino das exportações de produtos industrializados, acompanha com atenção a evolução do quadro no país vizinho.

A Argentina se encontrava em condição de moratória técnica desde maio passado, quando deixou de pagar uma parcela de US$ 503 milhões de juros de sua dívida externa. O governo de Fernández propôs, inicialmente, prazo de três anos para retomar os pagamentos. Acabou aceitando a redução desse prazo para um ano. Também concordou em reduzir o desconto do valor devido. Inicialmente, propôs pagar US$ 35 por cada US$ 100 de sua dívida. Pelo acordo fechado, pagará US$ 54,80.

“Chegamos a um acordo que permitirá que membros dos grupos credores e outros detentores apoiem a proposta de reestruturação da dívida e concedam à Argentina um alívio significativo”, disse, em nota, o Ministério da Economia. Também em nota, o grupo de credores afirmou que “o acordo é um bom resultado”.

Resolvido o problema com os credores privados, o governo argentino tem pela frente outras tarefas urgentes. Precisa rediscutir com o FMI as condições de pagamento da dívida, cuja amortização deve começar em 2021, mas tem compromissos concentrados nos dois anos seguintes. Não deverá obter dinheiro novo; na melhor hipótese, poderá conseguir adiar pagamentos.

No plano interno, ainda falta o principal para estimular a atividade econômica. Há reformas que precisam ser feitas, como a trabalhista, a tributária e a previdenciária, sem as quais será muito difícil crescer com velocidade e persistência.

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