Arrecadação mostra empresas mais saudáveis

Resultado para agosto indica que as empresas têm condições para honrar seus compromissos tributários

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

10 de outubro de 2020 | 03h00

Parte significativa do aumento da arrecadação de tributos federais em agosto – a maior para o mês desde 2014 – se explica pelo recolhimento de tributos cujo vencimento tinha sido prorrogado para os contribuintes poderem dispor de mais recursos para enfrentar a crise provocada pela pandemia. A arrecadação federal alcançou R$ 124,5 bilhões em agosto, valor que representa crescimento de 1,33% em termos reais na comparação com o resultado de um ano antes.

Embora tenha um aspecto restritivo – é receita que não se repetirá mais –, o recolhimento de tributos diferidos no início da pandemia tem também, nas circunstâncias atuais, um elemento altamente positivo: mostra que as empresas já dispõem de vigor financeiro para cumprir compromissos adiados e que alcançam montante expressivo.

Estimou-se em R$ 28 bilhões o total de impostos diferidos em abril para aliviar a pressão sobre o caixa das empresas. Chegou-se a prever que, diante da gravidade dos problemas, muito pouco desse valor seria recuperado pela Receita. Só em agosto, foram recolhidos R$ 17,294 bilhões do total de tributos diferidos no início da pandemia. É uma indicação bastante clara de que as empresas têm condições para honrar seus compromissos tributários e o estão fazendo.

O relatório de agosto da Receita Federal mostra também que houve volume expressivo (de R$ 18,096 bilhões) de compensações tributárias, por meio das quais os contribuintes usam o crédito do pagamento de algum imposto para quitar outro. “Verificamos que o crescimento das compensações tributárias foi usado para quitar os valores diferidos”, avalia o chefe do Centro de Estudos Tributários e Aduaneiros da Receita Federal, Claudemir Malaquias.

Há outros bons sinais no relatório da arrecadação tributária de agosto. O recolhimento de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), por exemplo, aumentou 7,59% em valores reais na comparação com agosto do ano passado. É um resultado animador, pois a indústria vinha há tempos demonstrando maior dificuldade na retomada de seu ritmo de crescimento.

Os resultados acumulados do ano e de 12 meses ainda mostram redução, o que comprova a virulência da crise no primeiro semestre, mas os do segundo semestre vão deixando para trás as surpresas negativas.

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