As duas classes de endividados

Em outubro, segundo a CNC, o porcentual de famílias com dívidas caiu em relação a setembro, mas é superior ao observado em igual mês de 2018

O Estado de S.Paulo

08 de novembro de 2019 | 04h00

Pesquisas recentes sobre a situação financeira das famílias indicam que se acentua a diferença entre as que fazem grandes esforços para adequar gastos às receitas e as que estariam prestes a “jogar a toalha”, dada a impossibilidade de equilibrar as contas. É o que permitem supor os dados da Pesquisa CNC Endividamento e Inadimplência do Consumidor, da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), e do Indicador de Registros de Inadimplentes, da Boa Vista, que mostram a situação dos apontados no Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC).

Em outubro, segundo a CNC, o porcentual de famílias com dívidas caiu em relação a setembro, mas é superior ao observado em igual mês de 2018. Aumentou de 9,6% para 10,1% a participação das famílias que se declararam incapazes de pagar as dívidas vencidas. É um aumento expressivo para um único mês.

O motivo principal para as dificuldades é o emprego escasso e precário. Centenas de milhares de pessoas migraram do emprego formal para o informal. Muitos são trabalhadores por conta própria, sem renda regular, que não conseguem quitar dívidas na data certa.

Entre as famílias que ganham até dez salários mínimos, o porcentual de endividados de 65,6% em outubro foi bem superior ao de outubro de 2018 (61,7%). O endividamento das famílias com renda acima de dez salários mínimos também aumentou, mas, neste caso, é provável que elas estejam voltando ao mercado de crédito, pois os juros caíram, embora ainda sejam altos.

Entre as famílias muito endividadas, a parcela da renda comprometida com dívidas é da ordem de 30%. Em relação ao total de famílias da mostra da CNC, os muito endividados eram 12,9% em outubro de 2018 e chegaram a 14% em outubro de 2019.

O instrumento de pagamento que mais complica a vida dos devedores é o cartão de crédito, no qual estão 78,9% das dívidas, seguido do cheque especial. Novas campanhas de esclarecimento para evitar o uso abusivo desses instrumentos deveriam ser feitas pelo governo e pelas instituições financeiras, por mais que estas aufiram excelentes resultados com os cartões e o cheque especial.

Os números da Boa Vista mostram que o problema da inadimplência parece se agravar, dada a crescente dificuldade de recuperação de créditos.

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