As lojas que a pandemia levou em 2020

O varejo perdeu, no ano passado, 75,2 mil lojas. É o pior resultado desde 2016, ano de uma das recessões mais agudas do País

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

09 de março de 2021 | 03h00

O varejo perdeu, no ano passado, 75,2 mil lojas. É o pior resultado – saldo entre unidades abertas e fechadas – desde 2016, ano da mais aguda recessão de tempos recentes e que foi causada pelo fracasso da política econômica da presidente Dilma Rousseff.

Mas o desempenho do comércio varejista no ano da chegada da pandemia poderia ter sido pior, como mostrou reportagem do Estado em 1/3. O que evitou a repetição ou a superação do péssimo resultado de 2016 foi o pagamento, durante boa parte de 2020, do auxílio emergencial, que chegou a beneficiar diretamente mais de 60 milhões de pessoas.

O varejo fechou o ano passado com 1,221 milhão de lojas ativas, ou 5,8% menos do que em 2019, de acordo com levantamento da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). O estudo tem como base o número de lojas que mantêm empregados com vínculo empregatício e, por isso, estão no Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério da Economia. São todas, portanto, empresas formais. Não há base para avaliar a evolução do número de empresas que não têm empregados ou não os registram.

Em 2016, o total de lojas em operação diminuiu em 105,3 mil unidades. Nos anos seguintes, o varejo se recuperou, com o aumento do número de estabelecimentos. O estrago provocado pela pandemia só não foi maior por causa do auxílio emergencial, observou o economista-chefe da CNC, Fábio Bentes. No primeiro semestre, quando o isolamento social era mais respeitado pela população e o pagamento do auxílio emergencial ainda era recente, o País perdeu 62,1 mil lojas; na segunda metade do ano, com boa parte da população de menor renda dispondo do pagamento mensal do benefício, o saldo de estabelecimentos fechados ficou em 13,1 mil.

A pandemia estimulou a digitalização do comércio, com a expansão rápida das vendas por meio eletrônico. Mas cerca de 90% das vendas ainda dependem do consumo presencial. Daí o impacto da pandemia no número de lojas abertas e, obviamente, no faturamento e no número de empregados.

Além do forte aperto provocado pelo isolamento social e da necessidade de acelerar a digitalização, o comércio enfrenta o problema dos custos. O índice de correção do aluguel, por exemplo, teve alta de quase 30% em 12 meses.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.