As oscilações da produtividade na pandemia

Uso mais intenso da tecnologia por aqueles que se mantiveram ocupados ajudou a melhorar a eficiência do trabalho

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

23 de junho de 2021 | 03h00

As grandes mudanças provocadas pela pandemia na atividade produtiva resultaram em variações igualmente amplas na produtividade do trabalho, algumas vezes em sentido contrário ao que poderia sugerir o senso comum.

A produtividade baseada nas horas efetivamente trabalhadas, por exemplo, aumentou quase 25% no primeiro trimestre de 2020, o pior do ano, na comparação com igual período de 2019, segundo estudo publicado do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas. Em plena crise, os que mantiveram sua ocupação passaram a produzir mais por hora trabalhada?

Na verdade, um conjunto de circunstâncias, poucas vezes favoráveis, provocou oscilações excepcionais nesse indicador. Mas é muito provável que essas variações, a despeito de sua amplitude, tenham sido temporárias e, doravante, a evolução retome a tendência observada antes da pandemia, a de um avanço lento.

Usualmente, a produtividade do trabalho é medida com base nas horas trabalhadas. Estas, por sua vez, podem ser as horas habitualmente trabalhadas ou as horas efetivamente trabalhadas. Em condições normais, as diferenças entre uma e outra forma de medição são muito pequenas, geralmente provocadas pelo número maior de feriados, dias de folga ou alguma interrupção inesperada na produção. Na pandemia, porém, as variações foram muito grandes.

Praticamente todas as variáveis utilizadas nesses cálculos (valor adicionado e horas habitualmente e efetivamente trabalhadas) diminuíram durante a fase mais aguda da crise da pandemia. Mas caíram em proporções muito diferentes, daí a diferença no resultado final.

Trata-se de um quadro excepcional, que, na avaliação dos autores do estudo, pode ter adiado o ajuste, para baixo, da produtividade. A pandemia levou ao fechamento de mais empresas de serviços do que as de outros segmentos. E o setor de serviços tem produtividade média menor do que a dos demais setores.

Além disso, o desemprego causado pela pandemia afetou mais trabalhadores informais e de baixa escolaridade, em geral de menor produtividade.

E o uso mais intenso da tecnologia por aqueles que se mantiveram ocupados ajudou a melhorar a eficiência do trabalho. A retomada inverterá o papel desses fatores.

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