As reações à persistência do desemprego

Não é apenas o contingente de desocupados que preocupa. População subutilizada aumentou em 2,6 milhões em um ano, chegando a 32,9 milhões

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

31 de julho de 2021 | 03h00

A existência de 14,8 milhões de desempregados parece assombrar o governo. Esse número, aferido pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad) Contínua do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para o trimestre encerrado em maio, assusta porque mostra a persistência de um sério problema econômico e social que a pandemia agravou.

À falta de explicações para o problema, algumas autoridades preferem desprezá-lo. O IBGE “ainda está na idade da pedra lascada, baseado em métodos que não são os mais eficientes”, desdenhou o ministro da Economia, Paulo Guedes, ao qual, lembre-se, a instituição está subordinada. Para Guedes, a metodologia do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) – que indicou a abertura de 1,5 milhão de empregos com carteira assinada no primeiro semestre deste ano – “é muito superior”, pois “vem diretamente das empresas”.

 

Comparar pesquisas baseadas em metodologias tão diversas, como a Pnad Contínua e o Caged, pode resultar em conclusões equivocadas. O Caged, como se sabe, baseia-se nos registros formais de contratação e demissão de trabalhadores pelas empresas, e a compilação dos dados está condicionada às informações que estas prestam ao governo.

Mas, como nenhuma autoridade da área econômica deve ignorar, o mercado de trabalho brasileiro é fortemente marcado pela informalidade. Não faz muito tempo, trabalhadores sem registro formal representavam mais da metade das pessoas ocupadas. Hoje, estima-se que sejam 40%. O Caged ignora completamente esse contingente.

Assim, a Pnad Contínua, mesmo podendo ter falhas ou distorções conjunturais – por causa da pandemia, as entrevistas presenciais foram substituídas por telefônicas –, oferece retrato mais amplo do mercado de trabalho. E esse retrato continua feio.

A taxa de desocupação no trimestre móvel de março a maio de 2021 foi de 14,6%, superior à do trimestre anterior, de 14,4%, e à de igual trimestre de 2020, de 12,9%.

Não é apenas o contingente de desocupados que preocupa. A população subutilizada aumentou em 2,6 milhões em um ano, chegando a 32,9 milhões de pessoas. São brasileiros que estão sem ocupação, que trabalham menos do que poderiam ou que estariam trabalhando se houvesse emprego adequado.

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