Até a pandemia, crescia o número de empresas

O que impulsionou o resultado em 2019 foi o aumento de 35,8% das empresas relacionadas como não tendo nenhuma pessoa ocupada

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

01 de julho de 2021 | 03h00

Depois de ter diminuído por três anos seguidos, o número de empresas no País voltou a crescer em 2019. Segundo dados do Cadastro Central de Empresas (Cempre) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o total de companhias e organizações formais em atividade no ano que antecedeu o do início da pandemia era de 5,239 milhões de unidades, com aumento de 301.388 negócios (ou 6,1%) em relação ao total de 2018. Entre 2007 e 2019, liquidamente foram criadas 818,9 mil empresas, com aumento de 18,5%.

As empresas em atuação em 2019 ocupavam 53,2 milhões de pessoas, das quais 46,2 milhões (86,8% do total) na condição de assalariado e 7,0 milhões (13,2%) como sócio ou proprietário.

O que impulsionou o crescimento do número de empresas em 2019 foi o aumento de 35,8% das empresas relacionadas como não tendo nenhuma pessoa ocupada. Isso pode ter inflado o total. Segundo o IBGE, nesse grupo é mais difícil identificar quais estão em atividade e quais estão inoperantes. Também cresceu o número de empresas classificadas em outras faixas definidas por número de ocupados, mas a expansão foi bem menor, de menos de 3,9% em todas elas.

Os dados tiveram um ajuste metodológico em 2019, que pode também ter aumentado o número de unidades. A partir daquele ano, o Cempre passou a utilizar informações do Sistema de Escrituração Digital das Obrigações Fiscais, Previdenciárias e Trabalhistas (eSocial), que vem substituindo gradativamente a Relação Anual de Informações Sociais (Rais).

Duas informações presentes na Rais não fazem parte do eSocial: o número de sócios e proprietários e a indicação da atividade que mostra se o estabelecimento exerceu sua atividade. Desse modo, todos os estabelecimentos do eSocial foram considerados ativos, o que pode ter contribuído para aumentar o total de empresas.

Embora tenha crescido o número de pessoas trabalhando em 2019, a massa de salários e outras remunerações encolheu 0,7% no ano. O salário médio mensal caiu ainda mais, 3,5%, já descontada a inflação do período. É uma forte indicação de que a economia já não vinha bem antes da pandemia; a chegada do novo coronavírus piorou um quadro que, no mercado de trabalho, já não era estimulante. Outros indicadores da economia tiveram evolução semelhante.

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