Atividade do varejo segue em banho-maria

O volume de vendas do comércio apresentou ligeira elevação pelo critério de média móvel trimestral

Redação, O Estado de S.Paulo

20 Dezembro 2018 | 04h00

O volume de vendas do comércio varejista diminuiu 0,4% entre setembro e outubro, mas apresentou ligeira elevação, de 0,1%, pelo critério de média móvel trimestral, que é o mais utilizado pelos especialistas. São números da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC) divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostrando que, pouco antes da Black Friday (fins de novembro) e do Natal, os consumidores agiam com contenção. O fato mais relevante posterior à pesquisa foi a eleição presidencial, mas é cedo para ter certeza de que haverá forte estímulo às vendas.

O presidente da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), Alencar Burti, notou que os resultados do varejo em outubro foram piores do que o esperado. No segundo semestre, apenas em agosto a comparação com o mês anterior foi positiva, avaliaram os analistas do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi). São indícios de que os dados de 2018 revelam menos dinamismo do que os de 2017.

No varejo restrito, o recuo foi determinado pelo comportamento insatisfatório das vendas de combustíveis e lubrificantes, móveis e eletrodomésticos e tecidos, vestuário e calçados.

Ainda pior foi o resultado do comércio de livros, jornais, revistas e papelaria (-7% em relação a setembro), mas o peso relativo dessas atividades é menor do que o de outros itens em queda. As dificuldades de grandes grupos (Livrarias Cultura e Saraiva) refletem a crise por que passa o segmento.

No varejo ampliado, que inclui veículos e motos, partes e peças e material de construção, a queda entre setembro e outubro foi menor (0,2%) que a do varejo restrito. O recuo foi atenuado pelas vendas de material de construção, que cresceram 1,3%.

As comparações entre outubro de 2017 e outubro de 2018 são positivas, com alta de 1,9% no varejo restrito e de 6,2% no varejo ampliado. Entre os últimos 12 meses, até outubro, e os 12 meses anteriores, a variação positiva foi de 2,7% no varejo restrito e de 5,7% no varejo ampliado.

Pesquisas recentes feitas por agentes privados foram mais alentadoras, mas uma retomada expressiva do varejo dependeria de mais emprego e renda, além de crédito em condições melhores para os consumidores. Ainda que os indicadores de novembro e de dezembro ensejem algum otimismo, as expectativas devem se voltar para o ano que vem.

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