Aumentam as retiradas nas cadernetas

Com a remuneração pouco atrativa, de 0,37% ao mês, as cadernetas parecem sofrer mais saques do que outras modalidades

O Estado de S.Paulo

11 de junho de 2019 | 05h00

Enquanto alguns fundos de investimento voltaram a apresentar captação positiva em maio, as cadernetas do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) registraram novos saques, que atingiram, em termos líquidos, quase R$ 14 bilhões nos primeiros cinco meses de 2019, ante R$ 1,4 bilhão e R$ 13,1 bilhões em iguais períodos de 2018 e de 2017. Com a remuneração pouco atrativa, de 0,37% ao mês, as cadernetas parecem sofrer mais saques do que outras modalidades quando os aplicadores precisam de liquidez imediata, por exemplo, para consumir ou amortizar dívidas. Também houve saques líquidos nas cadernetas rurais, o que elevou as retiradas totais dos primeiros cinco meses do ano para R$ 17 bilhões.

Os primeiros semestres são, historicamente, mais fracos para a captação das cadernetas, mas, em 2019, a situação piorou. No mês passado, os saques líquidos nas cadernetas do SBPE atingiram R$ 464 milhões. No bimestre abril/maio, foram sacados R$ 3,3 bilhões, enquanto em igual período de 2018 houve ingressos líquidos de R$ 1,3 bilhão.

Os recursos das cadernetas do SBPE destinam-se, primordialmente, ao financiamento de moradias pelo Sistema Financeiro da Habitação (SFH), que registra demanda crescente. Entre os primeiros quatro meses de 2018 e de 2019, o número de unidades financiadas pelo SBPE passou de 60,7 mil para 83,9 mil e o volume de recursos, de R$ 15,3 bilhões para R$ 21,4 bilhões.

Embora o crédito imobiliário disponha de outros instrumentos de captação além das cadernetas, são estas que asseguram juros módicos dos empréstimos, favorecendo a concorrência entre as instituições.

Para que seja viável a oferta de empréstimos a juros mais baixos, como anunciou há dias a Caixa Econômica Federal (CEF), é necessário que a captação de recursos também se faça a custos reduzidos, por exemplo, via cadernetas. Não custa lembrar que a concorrência entre a CEF e os bancos privados no crédito imobiliário depende da captação das cadernetas.

Quando a economia retomar um processo mais firme de recuperação, a demanda de crédito imobiliário tenderá a crescer muito, como ocorre nos mercados desenvolvidos. Para os mutuários, juros baixos são essenciais. Mas os financiamentos à moradia devem ser convenientes tanto para os tomadores como para os aplicadores, ou seja, para os bancos.

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