Aumento do crédito indica recuperação

Processo de reabertura está estimulando mais pessoas a buscar empréstimos nos bancos

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

26 de maio de 2021 | 03h00

Mais lojas abertas, e por períodos mais longos, reabertura dos restaurantes e gradual normalização das atividades econômicas em vários centros urbanos estão estimulando mais pessoas a buscar empréstimos nos bancos. É o que sugere o crescimento de 0,5% em abril no saldo total da carteira de créditos dos principais bancos do País, de acordo com a Pesquisa Especial de Crédito da Federação Brasileira de Bancos (Febraban). A expansão no ano pode chegar a 15%.

O aumento em relação a março é o melhor resultado para abril desde 2014, quando a expansão na comparação com o mês anterior foi de 0,7%. Embora o aumento porcentual observado neste ano possa parecer pouco expressivo, a comparação com o resultado de abril de 2014 lhe dá um significado mais brilhante.

Naquele momento, no ano em que ocorreria a eleição presidencial que asseguraria o segundo mandato para a petista Dilma Rousseff, a economia crescia com rapidez, pois ainda estavam presentes os efeitos da bonança da economia mundial sobre o País. As consequências desastrosas da política econômica do governo Dilma só surgiriam com nitidez em 2015 – e abalariam fortemente, e por um período longo, a economia brasileira.

Desta vez, por se registrar no momento em que a pandemia ainda representa ameaça à vida e dificulta a superação da crise econômica e social por ela causada, o aumento da carteira de crédito tem outro significado. “Além de mostrar que a oferta de crédito segue em ritmo importante neste início do ano, o resultado deve confirmar a percepção de que a atividade econômica já vem mostrando recuperação a partir de abril”, avalia o diretor de Economia, Regulação Prudencial e Riscos da Febraban, Rubens Sardenberg.

A paulatina reabertura da economia, com a adoção de medidas menos rigorosas de distanciamento social, deve beneficiar especialmente a carteira de crédito livre destinada a pessoas físicas. Assim, prevê Sardenberg, deve ser positivo o desempenho do crédito pessoal e das linhas ligadas ao consumo, como cartão de crédito.

As projeções da Febraban são baseadas em dados dos principais bancos do País, que respondem por 38% a 89% (a fatia depende da modalidade de crédito) do saldo de todo o sistema financeiro, e antecipam os números que o Banco Central divulga mensalmente.

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