Avanço da covid afeta recuperação da indústria

Desempenho do setor acrescenta mais elementos ao quadro de arrefecimento do ritmo de expansão de toda a economia

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

08 de maio de 2021 | 03h00

A recuperação da produção industrial está perdendo velocidade. Desde junho do ano passado, quando cresceu 9,4% em relação ao mês anterior, indicando forte retomada para compensar a queda brutal ocorrida em março e abril, o ritmo de crescimento vinha se reduzindo. Em fevereiro, houve queda de 1% em relação a janeiro; em março, a queda se ampliou para 2,4%

Nos nove meses que se seguiram ao início da pandemia, a reação da atividade industrial chegou a resultar em recuperação plena de tudo o que havia sido comprimido no período mais grave (março e abril). Mas as reduções de fevereiro e março deste ano consumiram inteiramente esse ganho. Ainda assim, o resultado de março é 10,5% maior do que o de um ano antes, mas naquele momento a pandemia já afetava fortemente a economia.

O desempenho da indústria nos últimos meses acrescenta mais elementos ao quadro de arrefecimento do ritmo de expansão de toda a economia, em razão de fatores que pareciam sob controle no segundo semestre do ano passado, mas se agravaram no início de 2021.

Isso “tem uma associação bem clara com o recrudescimento da pandemia e todos os efeitos que isso traz para dentro do processo produtivo”, observou o gerente da Coordenação de Indústria do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), André Macedo. Os efeitos enumerados por ele são: maior restrição de mobilidade, falta de matérias-primas e desorganização da produção.

Há outros fatores que afetam a demanda de produtos industriais, como o desemprego, que continua muito alto, a aceleração da inflação e a interrupção do pagamento do auxílio emergencial nos primeiros meses deste ano. Some-se a isso o temor da população diante da pandemia.

O recuo da indústria em março, como mostram os dados do IBGE, foi disseminado. Alcança três das quatro grandes categorias econômicas do setor (bens de capital, com redução de 6,9% em relação a fevereiro; bens de consumo duráveis, -7,8%; e bens de consumo semiduráveis e não duráveis, -10,2%). A categoria bens intermediários teve discreta alta de 0,2%.

Entre as atividades, a que teve influência negativa mais pesada sobre os resultados de março foi a de produção de veículos automotores, reboques e carrocerias, com queda de 8,4% sobre fevereiro.

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