Baixa demanda faz IPCA-15 variar -0,59% em maio

Tais projeções reforçam a expectativa de que em junho o Copom reduza novamente a Selic, atualmente em 3% ao ano

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

27 de maio de 2020 | 03h00

Com variação de -0,59% em maio, a menor desde o lançamento do Plano Real em julho de 1994, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) acumula alta de 1,96% em 12 meses. Esse resultado reforça as projeções de que o IPCA ficará abaixo não apenas da meta de 4% fixada para este ano, como até do limite inferior de tolerância, de 2,5%, da política seguida pelo Banco Central (BC). Tais projeções, por sua vez, reforçam as expectativas de que, em sua reunião de junho, o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC poderá reduzir novamente a taxa básica de juros, a Selic, atualmente em 3,0% ao ano, seu nível mais baixo desde que foi criada.

O resultado é consequência da baixa demanda e da fraca atividade econômica, resultado das medidas destinadas a conter a propagação da pandemia do novo coronavírus. “As pessoas não estão comprando”, diz o economista Vinicius Alves, da corretora Tullett Prebon. “Os serviços também estão (com preços) lá embaixo.”

O IPCA-15, calculado normalmente entre os dias 15 do mês anterior e 14 do mês de referência, antecipa o resultado oficial do IPCA do mês. A variação observada em maio é bem inferior à de um ano antes (alta de 0,35%) e está abaixo da de abril (-0,01%). O acumulado dos cinco primeiros meses do ano ficou em 0,35%.

Em maio, cinco dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados registraram queda. A menor variação foi a do grupo transportes, graças, sobretudo, à queda de 8,51% do preço da gasolina. Esse fator deflacionário deve perder relevância nas próximas pesquisas. Ontem, a Petrobrás anunciou aumento de 5% da gasolina e de 7% do diesel.

O grupo alimentação teve, em maio, variação positiva, mas bem menor do que a observada em abril (de 2,46% no mês passado e de 0,46% neste). É provavelmente consequência de procura menos intensa de alimentos, depois de uma corrida aos supermercados nas semanas que se seguiram às primeiras medidas de isolamento social.

Quanto aos preços administrados, registra-se queda de 0,03% no acumulado em 12 meses, segundo cálculos de uma instituição financeira. Provavelmente as próximas medições do IBGE terão uma mudança, pois, além do preço da gasolina, devem subir os da energia e dos remédios.

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