Balança comercial com superávit e poucos negócios

Exportações de US$ 18,1 bilhões e importações de US$ 13,1 bilhões em março mantêm o País entre as economias mais fechadas do mundo

O Estado de S.Paulo

05 de abril de 2019 | 04h00

O maior problema do comércio exterior do Brasil não é o superávit, que caiu ligeiramente na comparação entre 2018 e 2019, mas a fragilidade dos negócios, com exportações de US$ 18,1 bilhões e importações de US$ 13,1 bilhões e uma corrente de comércio (soma das vendas e compras) de apenas US$ 31,2 bilhões em março, o que mantém o País entre as economias mais fechadas do mundo. O superávit foi de US$ 4,99 bilhões em março, ante US$ 6,42 bilhões em março de 2018, e atingiu US$ 10,9 bilhões no trimestre, comparativamente a US$ 12,2 bilhões em igual período do ano passado.

Há boas explicações para os resultados insatisfatórios, pois exportar é difícil quando a economia mundial apresenta crescimento lento. E importar pouco se deve à baixa atividade econômica interna, com previsões de que o Produto Interno Bruto (PIB) não cresça sequer 2% neste ano.

A média diária de exportações caiu 3% entre os primeiros trimestres de 2018 e de 2019 e diminuiu 5% na comparação entre os meses de março do ano passado e deste ano.

As exportações de março, comparativamente a março de 2018, foram lideradas por produtos básicos como soja em farelo e grãos, petróleo bruto, algodão, milho em grãos, fumo e café, além de carne de frango e minério de ferro. Em igual base de comparação, houve queda de 6,5% nos manufaturados, por causa de veículos de carga, óleos combustíveis, automóveis de passageiros, autopeças, óxidos e hidróxidos de alumínio e pneumáticos.

Destacou-se, de novo, o peso negativo sobre as vendas de manufaturados decorrente da queda de exportações de veículos para a Argentina. América Central e Caribe compraram menos do Brasil itens como petróleo em bruto, aviões, celulose e óleos combustíveis.

Também as importações caíram entre março de 2018 e março de 2019, mas houve um crescimento das aquisições de bens de capital – sinal de uma leve disposição de investir das empresas brasileiras.

O comércio exterior continua a depender muito da Ásia, em especial da China, que, junto com Hong Kong e Macau, absorveu 30,7% das exportações brasileiras de março, ante 28,6% em março de 2018. Em igual período, o peso dos Estados Unidos nas exportações do País cresceu de 11,2% para 12,4%. Ou seja, o Brasil não pode ignorar nenhum importador, pois o comércio exterior está mais fraco em 2019.

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