Bancos privados sustentam alta do crédito

Operações livres lideraram a retomada dos financiamentos; aumento foi 14,1% em 2019, para R$ 2 trilhões

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

04 de fevereiro de 2020 | 04h00

Houve, em 2019, nítida mudança nas tendências do crédito concedido pelo Sistema Financeiro Nacional (SFN): as operações livres lideraram a retomada dos financiamentos, os bancos privados predominaram na oferta de recursos e a relação entre o crédito e o Produto Interno Bruto (PIB) voltou a crescer. Se a queda do custo do dinheiro para os tomadores for mais acentuada em 2020, é provável que o ritmo de crescimento das operações creditícias seja ainda mais intenso do que em 2019.

O estoque das operações de crédito livre do SFN aumentou 14,1% no ano passado, para R$ 2 trilhões, enquanto os financiamentos direcionados recuaram 2,4%, para R$ 1,46 trilhão. A diferença, agora de R$ 465 bilhões, era de apenas R$ 74 bilhões dois anos atrás.

As concessões de crédito também aumentaram, da média diária de R$ 323 bilhões em dezembro de 2018 para R$ 397 bilhões em dezembro de 2019, alta de 14,7%.

Tanto no estoque como nas concessões de crédito, que significam dinheiro novo, as operações com pessoas físicas cresceram mais do que com pessoas jurídicas entre 2018 e 2019. Mas em dezembro foram muito mais intensas as operações com empresas, que demandam elevados volumes de capital giro para financiar as vendas de fim de ano. A relação crédito/PIB, de 47,8% em dezembro, foi a mais elevada em dois anos, mas ainda está longe dos mais de 50% registrados no início da década.

A redução das operações de crédito direcionado se deve a uma política de governo. As maiores quedas ocorreram no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que vem devolvendo ao Tesouro somas vultosas que havia recebido por empréstimo da União na era Lula/Dilma.

A ampliação do crédito dos bancos privados no ano passado atingiu 15,7%, para 53% do crédito total, enquanto a dos bancos públicos diminuiu 2,2%, para 47% do crédito.

O recuo do juro básico para 4,5% ao ano e dos juros passivos (pagos pelos bancos aos aplicadores) impactou pouco os juros ativos (cobrados pelos bancos dos tomadores). No crédito livre, estes juros foram, em média, de 47,3% ao ano para pessoas físicas e de 16,5% para pessoas jurídicas. Embora os melhores tomadores paguem menos juros, estes ainda são, na média, altos o bastante para impedir uma expansão vigorosa do crédito.

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