BIS alerta sobre turbulências no mercado em 2019

Relatório destaca a fragilidade da bancos europeus e o risco de inflação nos EUA, entre outras coisas

Editorial Econômico, O Estado de S.Paulo

01 de janeiro de 2019 | 05h00

O ano de 2019 pode vir a ser marcado por fortes turbulências nos mercados internacionais, alerta em seu último relatório trimestral deste ano (outubro/dezembro) o Banco de Compensações Internacionais (BIS, na sigla em inglês), considerado o banco central dos bancos centrais. O BIS destaca a fragilidade dos bancos europeus muito endividados; o risco de inflação mais elevada nos EUA, com pressões da demanda relacionada a uma taxa de desemprego baixíssimo; e a forte concentração da dívida corporativa das empresas na categoria BBB, apenas um nível acima dos títulos junk ou papéis de altíssimo risco.

O relatório aponta outras condições que considera “insólitas”, como juros extraordinariamente baixos cobrados pelos bancos, balanços inflados dos bancos centrais e o enorme endividamento mundial público e privado. Levando em conta ainda, segundo o BIS, um contexto de tensões comerciais – como as desavenças entre os EUA e a China e as incertezas políticas, como a saída do Reino Unido (Brexit) da União Europeia (UE) –, é ainda mais difícil a adoção de políticas monetárias consistentes de ajuste.

“As tensões que temos observado no mercado no quarto trimestre”, observa Claudio Boro, chefe do Departamento Monetário e Econômico do BIS, “não foram acontecimentos isolados.” O BIS não diz explicitamente que a situação atual dá sinais de uma recessão, mas os autores do estudo lembram que, desde o início da década de 1980, as crises econômicas foram geralmente precedidas de booms financeiros.

A visão do BIS sobre os países emergentes é menos crítica. O relatório nota que as moedas desses países foram muito afetadas pela valorização do dólar, particularmente no terceiro trimestre deste ano. O impacto nos meses mais recentes tem sido menos agudo. Além disso, a economia da maioria dos países em desenvolvimento tem sido beneficiada pela queda das cotações do petróleo.

O endividamento externo dos bancos desses países é também menos preocupante. Nota o relatório, por exemplo, que os bancos brasileiros têm um total de financiamento a outros países emergentes de US$ 67 bilhões, mas a quase totalidade dessas operações foi feita por suas subsidiárias no exterior, e apenas 4% (US$ 3 bilhões) foram concedidos pelas matrizes no Brasil.

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