Brasil preparado para a alta do preço do petróleo

Em tempos incerteza, Petrobrás parece estar convencida de que é melhor esperar a evolução dos acontecimentos internacionais antes de tomar decisões que afetem negativamente consumidores e produtores que dependem dos preços dos combustíveis

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

08 de janeiro de 2020 | 04h00

Com o petróleo tipo Brent negociado no mercado futuro a níveis próximos de US$ 69 o barril para março nesta semana, é melhor ser prudente tanto no que diz respeito aos riscos da crise do Oriente Médio como no tocante ao seu impacto para o Brasil. Foi essa marca de prudência que levou as autoridades brasileiras a, ao mesmo tempo, reafirmarem a liberdade de que dispõe a Petrobrás para corrigir preços de derivados. Note-se que até o momento não houve qualquer reajuste dos valores aplicados.

Em tempos de grande incerteza, a Petrobrás, com o apoio do governo, parece estar convencida de que o melhor é esperar a evolução dos acontecimentos antes de tomar decisões que afetem negativamente consumidores e produtores que dependem dos preços dos combustíveis para administrar orçamentos ou negócios.

A alta registrada no mercado global não se compara à de outros momentos em que as tensões geopolíticas atingiram níveis muito mais agudos. É improvável, segundo analistas com visão global, como Christopher Garman, da Consultoria Eurasia, que ocorra um conflito militar mais amplo no Oriente Médio, com potencial de elevar o preço do barril de petróleo para níveis próximos de US$ 100.

O que se sabe é que o Irã, que produz cerca de 4,7 milhões de barris/dia (b/d), depende do petróleo que exporta para financiar sua economia. Atos de guerra do Irã, por exemplo, no Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto da produção mundial de petróleo e onde há alguns meses navios petroleiros foram atacados, seriam o mesmo que atirar nos próprios pés. O Brasil, cuja produção de petróleo equivalente já se acerca dos 3 milhões de b/d, tem condições satisfatórias para enfrentar a crise, a começar do fato de que está longe da zona conflagrada.

Além disso, não se deve esquecer de que o Brasil deixou de ser só importador e passou a ter superávit na conta petróleo. Nos próximos cinco anos, segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o País deverá ser incluído no rol dos cinco maiores produtores globais.

A posição brasileira atual tem a ver com a reestruturação da Petrobrás desde 2016, nas gestões Pedro Parente, Ivan Monteiro e Roberto Castelo Branco. Ela foi saneada e profissionalizada e se tornou lucrativa, o que faz toda a diferença em tempos de crise

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