Captação negativa das cadernetas até novembro

Maior obstáculo à captação de recursos de poupança não parece ser a remuneração, mas a da gestão do orçamento das famílias; com juros baixíssimos, há forte estímulo para quitar dívidas, pois o custo do endividamento é sempre mais alto

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

21 de dezembro de 2019 | 05h00

Juros em queda provocam mudanças nas aplicações. Se crescem as aplicações em modalidades de risco, como ações e imóveis, cai a captação das cadernetas de poupança para o menor nível dos últimos anos. Em novembro, segundo o Relatório Depósitos de Poupança, do Banco Central, os ingressos líquidos nas cadernetas do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) foram de apenas R$ 3 bilhões, pouco acima dos quase R$ 2 bilhões captados em novembro de 2018, mas abaixo dos R$ 3,8 bilhões líquidos aplicados em novembro de 2017.

Dezembro é o melhor mês do ano para as cadernetas de poupança. Nesse mesmo mês, em 2017, o ingresso líquido nas cadernetas foi de quase R$ 15 bilhões e, em 2018, atingiu R$ 12,2 bilhões. Mas, ainda que no mês em curso os ingressos líquidos na modalidade sejam vultosos, as cadernetas deverão encerrar o ano com resultados piores do que os registrados em 2017 e em 2018.

De janeiro a novembro de 2019, a captação líquida das cadernetas ainda é negativa em R$ 1,2 bilhão. No mesmo período de 2017, houve captação líquida positiva no mesmo valor de R$ 1,2 bilhão e, em 2018, o ingresso líquido foi de quase R$ 15,6 bilhões.

O maior obstáculo à captação de recursos de poupança não parece ser a remuneração – que tende a ser negativa para a maioria das aplicações de renda fixa com a taxa básica de juros de 4,5% ao ano –, mas a da gestão do orçamento das famílias.

Com juros baixíssimos, ou mesmo negativos, há forte estímulo para quitar dívidas, pois o custo do endividamento é sempre mais alto. Passa a ser normal utilizar os recursos aplicados em cadernetas para cobrir déficits do orçamento doméstico. Esse estímulo pode ser ainda maior nos casos de desemprego, em que é preciso mobilizar recursos disponíveis e evitar, a todo custo, cair na inadimplência, cujo principal ônus é a perda do crédito.

As cadernetas tendem a ser, assim, espécie de refúgio para a grande massa de pequenos aplicadores que tratam a modalidade como espécie de conta corrente na qual deixam recursos para emergência e para um grupo pequeno de grandes aplicadores, interessados acima de tudo na segurança das cadernetas.

O problema é que os depósitos de poupança são a principal fonte de recursos para comprar a casa própria. 

E há demanda crescente de crédito imobiliário.

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