Cenário incerto faz cair a confiança

Fim do pagamento do auxílio emergencial contribui para reduzir a confiança dos agentes econômicos

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

02 de fevereiro de 2021 | 03h00

Empresários e consumidores estão mais preocupados com sua situação e com os rumos da economia do que estavam há algum tempo. Os diferentes índices de confiança aferidos pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV) em janeiro mostram trajetória semelhante. Todos estão em queda. Uns intensificam a tendência que já mostravam há mais tempo; outros revertem a alta que apresentavam e agora caem.

“O recrudescimento da pandemia e a necessidade de adoção de medidas mais restritivas por algumas cidades geram grande preocupação com os rumos da situação econômica do País e das famílias”, avalia a coordenadora das sondagens do Ibre/FGV, Viviane Seda Bittencourt, ao comentar a queda de 2,7 pontos do Índice de Confiança do Consumidor. Com esse desempenho, o índice chega ao menor valor desde junho de 2020, quando começava a se recuperar depois da brutal queda nos meses iniciais da pandemia.

Um fator adicional contribui para reduzir a confiança dos agentes econômicos. Trata-se do fim do pagamento do auxílio emergencial, que beneficiou dezenas de milhões de pessoas até o fim do ano passado. “Sem o suporte dos benefícios emergenciais, as famílias continuam postergando o consumo e dependendo da recuperação do mercado de trabalho, que tende a ser lenta diante do cenário atual”, diz a coordenadora das sondagens da FGV.

A confiança dos empresários da construção, que havia registrado pequena alta de 0,1 ponto em dezembro, caiu 1,4 em janeiro. Aos problemas gerais que afetam a atividade econômica e o consumo, a construção enfrenta o aumento dos custos dos materiais.

Já a sondagem do comércio mostra, em janeiro (redução de 0,9 ponto), a manutenção da tendência de queda da confiança que se observou nos últimos três meses de 2020. A confiança do comércio está diretamente ligada à confiança do consumidor e à evolução do mercado de trabalho.

A consequência para a indústria desse humor disseminado em outros segmentos não poderia ser outra: queda do índice de confiança em janeiro, depois de sete meses consecutivos de alta.

Já o índice de confiança de serviços caiu 0,7 ponto de dezembro para janeiro e se afasta ainda mais do nível que apresentava antes do início da pandemia.

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