CNI vê otimismo contido na construção

A melhora se deve mais à evolução do nível de atividade e do emprego – ou seja, à situação presente – do que às perspectivas futuras

O Estado de S.Paulo

27 de agosto de 2019 | 05h00

Baseada em dados anteriores à divulgação de novas regras do Banco Central (BC) favoráveis ao mercado imobiliário, a última Sondagem Indústria da Construção, da Confederação Nacional da Indústria (CNI), constatou que o setor ainda mostra reticência quanto a uma certa onda de otimismo que começa a dominar a área da construção civil. Há, de fato, segundo a Sondagem da CNI, uma melhora gradual evidenciada desde janeiro de 2019, mas “sem sinal de recuperação consistente”. Os investimentos estão aquém do necessário e a utilização de capacidade permanece baixa, afirmam os analistas da CNI.

A melhora se deve mais à evolução do nível de atividade e do emprego – ou seja, à situação presente – do que às perspectivas futuras. Mas, mesmo com a recuperação dos indicadores conjunturais, estes ainda se situam abaixo da linha de corte de 50 pontos, que separam o otimismo do pessimismo.

Em julho, o indicador de evolução do nível de atividade estava em 48,4 pontos e o do emprego se situava em 47,3 pontos. Em janeiro de 2019, esses índices apontavam, respectivamente, para 44 pontos e 42,5 pontos.

No plano positivo, os indicadores de atividade e emprego alcançaram o maior nível dos últimos seis anos. Parece quase superada, portanto, a longa crise vivida nesta década pelo mercado da construção.

Outro sinal de avanço está nos dados de julho do Ministério da Economia, indicando que a construção civil registrou contratação líquida de 18,7 mil vagas com carteira assinada em julho e de 77,5 mil nos primeiros sete meses de 2019. A melhora é evidente pois, nos últimos 12 meses, até julho, foram abertas 38,4 mil vagas formais pela construção civil.

No plano negativo, as expectativas da construção em agosto, embora superando os 50 pontos, caíram em relação a julho quanto ao nível de atividade, número de empregados, novos empreendimentos e serviços e compras de insumos e matérias-primas.

A intenção de investimento em máquinas e equipamentos, pesquisa e desenvolvimento e inovação ficou em 33,1 pontos, abaixo da média histórica de 33,7 pontos. A tendência do investimento é positiva desde meados de 2018, mas é modesto o aumento da propensão a investir. Cabe esperar que a queda de juros e a redução de prestações do crédito imobiliário assegurem a retomada do setor.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.