Com reposição de estoque, indústria fatura mais 2,1%

O faturamento da indústria de transformação cresceu 2,1% em novembro em relação a outubro e 1,8% acima do registrado em novembro de 2017

O Estado de S.Paulo

23 de janeiro de 2019 | 04h00

O bom movimento de vendas do comércio nos últimos meses do ano passado refletiu-se diretamente no aumento de encomendas à indústria para recomposição de estoques. Segundo a pesquisa Indicadores Industriais, divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), o faturamento da indústria de transformação cresceu 2,1% em novembro em relação a outubro e 1,8% acima do registrado em novembro de 2017.

O número de horas trabalhadas na produção aumentou 0,7% em novembro em confronto com o mês anterior e 0,2% diante do mesmo mês de 2017. Já a utilização da capacidade instalada recuou 0,3 ponto porcentual e ficou em 76,8%, um nível ainda bastante elevado.

A melhora verificada pode sinalizar o início de um processo de recuperação, tendo em vista que as projeções da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) sobre as vendas do varejo ampliado em 2018 são de um aumento de 4,8%, taxa que pode ser superada em vista da forte demanda do fim de ano. Isso deve dar novo impulso à reposição de estoques.

Contudo, na visão de Flávio Castelo Branco, da CNI, a manutenção de um desempenho positivo da indústria vai depender das ações do governo. “Para a sustentação da atividade, é preciso (que haja) ações e resultados objetivos em questões como equilíbrio fiscal, a reforma da Previdência e medidas que melhorem o ambiente de negócios, com a redução da burocracia.”

Esse surto de atividade na indústria teve efeito sobre o nível de emprego no setor, que, depois de oito meses consecutivos de queda, acusou crescimento modesto de 0,3% de outubro para novembro, sempre na série livre de efeitos sazonais. O total, porém, ainda está 0,3% abaixo do nível do mesmo mês de 2017. Isso pode ser explicado tanto pela cautela das indústrias em fazer novas contratações como pelo fato de que, com uso de equipamentos mais modernos, a demanda de mão de obra é menor.

Como tem sido característico da fase que a economia vem atravessando, a massa de salários pagos em novembro na indústria de transformação recuou 0,7% e o rendimento médio do trabalhador caiu 1% em novembro, em termos reais, na comparação mensal. No confronto com o mesmo mês de 2017, a massa real de salários diminuiu 2,6% e o rendimento médio real do trabalhador foi 2,3% menor.

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