Com riscos menores, bancos lucram mais

Menores despesas com provisões, queda do custo de captação e ganhos de eficiência permitiram aos bancos auferir lucros de R$ 98,5 bilhões em 2018

O Estado de S.Paulo

17 de abril de 2019 | 04h00

O sistema bancário nacional opera com riscos baixos, capitalização satisfatória e lucratividade crescente. Dispõe, portanto, de boa resistência para enfrentar choques e prejuízos, segundo o Relatório de Estabilidade Financeira (REF) divulgado há poucos dias pelo Banco Central (BC), com números relativos ao segundo semestre de 2018.

Embora algumas grandes empresas ainda estejam inadimplentes, “não há indícios de elevação do risco” no crédito às pessoas físicas, cujo peso é superior ao do crédito às pessoas jurídicas, segundo o REF.

O risco não cresceu apesar do aumento mais rápido das operações de financiamento aos consumidores de veículos, que causaram prejuízos aos bancos entre 2009 e 2012.

Hoje, o Banco Central avalia que “o crédito às pessoas físicas deve continuar em ascensão, caso se confirme o cenário de recuperação econômica e a materialização da expectativa captada pelo índice de confiança do consumidor”.

A diminuição dos riscos permitiu que os bancos reduzissem as provisões para devedores duvidosos de R$ 120 bilhões em junho de 2016 para R$ 70 bilhões em dezembro de 2018. Menores despesas com provisões, queda do custo de captação de recursos e ganhos de eficiência operacional permitiram aos bancos auferir lucros de R$ 98,5 bilhões em 2018, superiores em 17,4% aos verificados em 2017. Foram os maiores lucros, em termos nominais, da história das instituições financeiras do País.

O índice de retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) aumentou de 13,6% ao ano em dezembro de 2017 para 14,3% em junho de 2018 e para 14,8% em dezembro do ano passado.

Os resultados dos bancos públicos melhoraram em 2018, aproximando-se dos resultados dos grandes bancos privados. Mas “bancos de menor porte, que atuam em segmentos específicos, ainda enfrentam desafios para uma retomada mais consistente”, segundo o BC.

Bancos sólidos, líquidos e bem capitalizados têm capacidade de enfrentar situações de estresse. Isso é essencial para o bom funcionamento da economia, pois permite que os clientes realizem suas operações num ambiente de riscos pouco relevantes. A eficiência das políticas destinadas a preservar a solvência do sistema bancário favorece a aprovação do projeto de autonomia do BC.

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