Comércio puxa nível de emprego com registro

Foram criados 58,6 mil empregos com carteira assinada em novembro, segundo o Caged

Redação, O Estado de S.Paulo

04 de janeiro de 2019 | 04h00

A evolução do emprego no País em 2018 foi razoável, embora haja ainda um longo caminho a percorrer para uma recuperação significativa do mercado de trabalho. Em novembro, pelo 11.º mês consecutivo, o mercado formal contratou pessoal. Foram criados 58.664 empregos com carteira assinada, segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho, o melhor resultado para o mês desde 2010. Nos 11 primeiros meses de 2018, o número de admissões superou em 858.415 as demissões e, nos 12 meses encerrados em novembro, o total de novas vagas alcançou 517.733.

O movimento de vendas no varejo em novembro foi bastante forte, em razão das promoções da Black Friday (23/11) e da perspectiva das festas de fim de ano. Assim, não chega a surpreender que o comércio tenha gerado o maior número de vagas no mês (88.587). Vem em seguida o setor de serviços, em alta constante ao longo de 2018, e que em novembro foi responsável por 34.319 novos empregos.

Esses dois setores garantiram o resultado positivo do mês, tendo todos os outros segmentos apresentado mais demissões do que contratações. As maiores dispensas ocorreram na indústria de transformação (-24.287 empregos). O desempenho da produção industrial em 2018 ficou aquém da expectativa, com crescimento de 1,8% no período janeiro a outubro, segundo a Pesquisa Industrial Mensal, do IBGE. Apesar dos problemas enfrentados pelo setor, um saldo negativo de empregos tão elevado é estranhável e só pode ser explicado pela adoção de processos automatizados por grandes companhias e pelo fechamento de indústrias de menor porte.

Também a área de construção civil apresentou um número elevado de perda de empregos (-13.854), comprovando a baixa demanda do setor habitacional, bem como a existência de grande volume de obras públicas paradas. A retomada desse setor, tão importante para a geração de empregos, vai depender de definições para esta área no atual governo.

O saldo negativo de empregos apresentado pelo setor agropecuário (-23.692) resulta de fatores cíclicos, já terminado a esta altura o período da colheita. E, finalmente, apresentaram maior desemprego a administração pública (-1.122), a indústria extrativa mineral (-744) e os serviços industriais de utilidade pública (-543).

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