Como a falta de componentes afeta a produção

A fabricação de carros de passeio em agosto foi a menor para o mês nos últimos 18 anos. As vendas, as piores para o mês em 16 anos

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

11 de setembro de 2021 | 03h00

A fabricação de carros de passeio em agosto foi a menor para o mês nos últimos 18 anos; e as vendas, as piores para o mês em 16 anos. Esse desempenho expressivamente ruim, descrito pela associação dos fabricantes de veículos, a Anfavea, poderá se repetir, ainda que sem igual intensidade, até o fim do ano. E a indústria automobilística continuará até o ano que vem com alguma dificuldade para normalizar a produção.

A falta de peças, especialmente componentes eletrônicos, vem afetando de maneira significativa a atividade das montadoras. Segundo balanço da Anfavea, 11 fábricas instaladas no País pararam total ou parcialmente suas linhas de montagem em agosto. Com isso, os estoques caíram e são suficientes para atender às vendas de apenas 13 dias, o menor nível em 22 anos de estatísticas da entidade.

Há dois meses, a Anfavea havia estimado a perda de 100 mil a 120 mil unidades neste ano por causa da falta de semicondutores, problema que vem prejudicando diversos segmentos da indústria em todo o mundo. A nova projeção é de perda de 240 mil a 280 mil unidades no ano. No mundo, a projeção é de perda de produção de 7 milhões a 9 milhões de veículos neste ano.

“Estamos com dificuldades de retomar a produção mesmo fazendo todo o esforço possível e as fábricas trabalhando com matrizes e fornecedores no sentido de mitigar o risco de falta de componentes”, disse o presidente da Anfavea, Luiz Carlos Moraes, ao comentar os resultados de agosto. “Ainda vamos ter dificuldades até o fim do ano para aumentar a produção.”

No mês passado, a produção foi 21,9% menor do que a de um ano antes. A produção alcançou 164 mil unidades; a de veículos de passeio, em particular, ficou em 119 mil unidades, uma das piores marcas do século. As vendas no mês, de 172,8 mil unidades, as piores desde 2005, foram 5,8% menores do que as de agosto de 2020.

Nos oito primeiros meses do ano, a produção somou 1,48 milhão de veículos, número 33% maior do que o de igual período de 2020. Convém lembrar que os primeiros meses de 2020 registraram grandes reduções dos principais indicadores econômicos, por causa da pandemia.

O total vendido de janeiro a agosto alcançou 1,42 milhão de unidades, 21,9% mais do que em igual período de 2020.

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