Como as empresas se protegeram na pandemia

Parte das reservas foi aplicada em depósitos a prazo, mas muitas preferiram tomar empréstimos para preservar o caixa

Notas & Informações, O Estado de S. Paulo

03 de setembro de 2020 | 03h00

Não só as famílias, mas também as empresas, em especial as de maior porte, agiram com muita cautela e previdência para preservar sua liquidez e assim se defender do efeito mais ameaçador da crise do novo coronavírus sobre sua atividade – a falta de caixa para honrar compromissos com o pessoal, os fornecedores e o Fisco. Sem poder avaliar bem o impacto da crise sobre sua situação financeira, as companhias acumularam enormes reservas entre janeiro e maio de 2020, segundo a última nota do Centro de Estudos de Mercados de Capitais (Cemec-Fipe). No período, as empresas pesquisadas destinaram R$ 272,6 bilhões a aplicações financeiras, enquanto o aporte das famílias atingiu R$ 80,2 bilhões.

O estudo é um bom exemplo sobre a forma de agir de agentes econômicos previdentes que lutam para preservar marcas, patrimônios e fundos de comércio conquistados, às vezes a duras penas.

A maior parte das novas reservas das empresas foi aplicada em depósitos a prazo (R$ 222,4 bilhões), mas muitas companhias preferiram tomar empréstimos bancários para preservar o caixa. Estes empréstimos alcançaram R$ 120,5 bilhões no período, dos quais R$ 111 bilhões no bimestre março/abril. Ou seja, predominou o entendimento das empresas de que era preciso incorrer num custo (juros mais altos dos empréstimos do que os recebidos nas aplicações) para não atrasar pagamentos e evitar o risco de insolvência.

Nos cinco meses anteriores (agosto a dezembro de 2019), o acréscimo de reservas foi de apenas R$ 7 bilhões, notou o diretor do Cemec e ex-secretário da Fazenda do Estado de São Paulo, professor Carlos Antonio Rocca. Isso dá uma pista sobre o que ocorreu com as reservas financeiras de empresas e famílias, mostrando, por exemplo, que o impacto do auxílio emergencial sobre as pessoas físicas nem de perto se compara ao efeito de decisões corporativas. Nos primeiros cinco meses deste ano, as empresas se desfizeram de R$ 76,4 bilhões que estavam aplicados em títulos públicos e de R$ 27 bilhões alocados em fundos, além de vender ações.

Com reservas financeiras superiores às necessárias, será mais fácil para as empresas que conseguiram se defender da crise retomar atividades e, se for o caso, voltar a avaliar novos investimentos. É um sopro de esperança de um futuro melhor.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.