Como o aperto monetário afeta os juros

Altas mais expressivas foram identificadas nas operações com taxas livremente definidas pelo mercado, consideradas as mais sensíveis às variações da Selic

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

28 de agosto de 2021 | 03h00

A alta de juros de diferentes modalidades de crédito para pessoas jurídicas foi disseminada em julho, mantendo uma tendência que vinha sendo observada há alguns meses. Essa evolução, como observou o chefe do Departamento de Estatísticas do Banco Central (BC), Fernando Rocha, está “em linha com as decisões de política monetária de aumento da Selic”. As estatísticas monetárias e de crédito divulgadas pelo BC mostram, porém, que os juros médios subiram pela primeira vez em três meses em julho, quando ficaram em 20,5%, ante 20,0% em junho.

A alta generalizada é apontada como consequência do aumento dos custos de captação dos bancos e dos spreads bancários, como consequência do aperto monetário decidido pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do BC. A taxa básica Selic, que estava em 2,0% em janeiro, vem sendo elevada em sucessivas reuniões do Copom e hoje está em 5,25% ao ano. O objetivo é conter a aceleração da inflação, que no acumulado de 12 meses alcançou 9,30% em agosto (medida pelo IPCA-15 do IBGE).

Altas mais expressivas dos juros do sistema financeiro foram identificadas nas operações com taxas livremente definidas pelo mercado, consideradas as mais sensíveis às variações da Selic. Os juros médios das operações livres subiram de 28,4% para 28,9% ao ano entre junho e julho; o custo do crédito direcionado, de sua parte, passou de 7,3% para 7,4%.

A alta é disseminada. Os juros subiram em 13 das 17 linhas acompanhadas pelo Banco Central, incluindo capital de giro e desconto de recebíveis. O juro médio total cobrado pelos bancos no rotativo do cartão de crédito subiu 4 pontos porcentuais, passando de 327,5% em junho para 331,5% em julho. É a modalidade de crédito mais cara do mercado e deve ser usada em situações de emergência financeira extrema, dado seu custo.

O estoque de operações de crédito aumentou 1,2% entre junho e julho, sustentado sobretudo pelas operações com pessoas físicas. O endividamento das famílias com o sistema financeiro bateu novo recorde, chegando a 59,2% dos rendimentos em maio, ante 58,3% em abril. 

Apesar do aumento das dificuldades das famílias e das empresas, não houve variação significativa da taxa de inadimplência. Nas operações de crédito livre, passou de 2,9% para 3,0% entre junho e julho.

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