Competitividade melhora, mas continua baixa

A posição brasileira corresponde ao ponto médio numa lista de 141 economias analisadas pelo Fórum Econômico Mundial

O Estado de S.Paulo

10 de outubro de 2019 | 04h00

Com o modesto avanço de apenas uma posição em relação ao relatório anterior, o Brasil ficou em 71.º lugar entre os países mais competitivos de acordo com a classificação elaborada pelo Fórum Econômico Mundial (WEF, na sigla em inglês). É uma posição pouco confortável. Corresponde ao ponto médio numa lista de 141 economias analisadas pelo WEF no seu Relatório de Competitividade Global 2019. Da mesma forma, a pontuação total alcançada pelo Brasil, de 60,9, é praticamente igual à média de 61 pontos de todos os países avaliados.

Se se considerar que a economia mais competitiva do planeta em 2019, a de Cingapura, alcançou 84,8 pontos, pode-se ter a dimensão de quanto o Brasil precisa avançar para tornar-se mais apto para enfrentar seus grandes concorrentes no cenário mundial. Entre estes estão algumas economias em estágio de desenvolvimento compatível com o do Brasil. E a comparação com elas é muito desfavorável.

Entre os países da América Latina, por exemplo, o Brasil ocupa apenas a 8.ª posição na classificação. Entre os componentes do Brics (formado também por Rússia, Índia, China e África do Sul), é o último colocado.

A simplificação de regras para abertura e fechamento de empresas, a inflação sob controle e as mudanças nas relações de trabalho que deram mais eficiência ao mercado de mão de obra estão citadas entre os fatores que ajudaram a melhorar a classificação do Brasil neste ano.

Outros fatores (o Brasil é o 10.º colocado quanto a tamanho de mercado e o 40.º em capacidade de inovação) também evitam que o País seja empurrado mais para a parte final da classificação do WEF.

Mas a persistência de velhos obstáculos aos ganhos de eficiência e produtividade continua a minar a avaliação da competitividade brasileira. Quanto à burocracia, o País está no último lugar entre os 141 países; em abertura comercial, na 125.ª posição; em segurança, na 123.ª; e em estabilidade governamental, na 130.ª. A falta de visão de longo prazo do governo fez dirigentes empresariais brasileiros consultados para a pesquisa colocarem o Brasil no 129.º lugar.

O relatório mostrou, também, que a competitividade de uma economia depende de políticas socialmente inclusivas e ambientalmente responsáveis. São critérios que não parecem balizar as ações do governo brasileiro.

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