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Compra de aço sobe, mas futuro é nebuloso

Dados confirmam que a indústria siderúrgica instalada no País tem enfrentado grandes dificuldades para manter-se a competitiva

Editorial Econômico, O Estado de S. Paulo

22 de junho de 2019 | 05h00

Graças sobretudo ao crescimento da produção de veículos, a compra de aço em maio registrou alta de 8,7% em relação a abril, segundo os últimos dados divulgados pelo Instituto Nacional de Distribuidores de Aço (Inda). Apesar disso, há preocupação no setor com a desaceleração cada vez mais sensível das vendas para o mercado argentino de veículos e outros bens manufaturados que utilizam aço, de tal modo que o presidente do Inda, Carlos Loureiro, chega a estimar uma redução de 15% na venda e compra de sua rede associada em junho em comparação com maio.

Quanto aos aços planos, as vendas aumentaram 1,2% em maio em confronto com o mês anterior, alcançando 269,1 mil toneladas. A alta em maio foi ainda mais expressiva (9,6%), se confrontado o período de janeiro a maio deste ano com os mesmos meses de 2018, quando o movimento foi gravemente prejudicado pela greve dos caminhoneiros.

Chama a atenção o alto volume de importações, que em maio apresentou um crescimento de 39,3% em relação a abril, atingindo um total de 126,8 mil toneladas. Na comparação anual, a alta foi de 14,7%.

Esses dados vêm confirmar análises que indicam que a indústria siderúrgica instalada no País tem enfrentado grandes dificuldades para manter-se a competitiva, tanto no mercado nacional como internacional, em face dos custos maiores com minério de ferro, cuja oferta foi afetada após o desastre da mina de Brumadinho, e também pelo preços do carvão, que não devem baixar em futuro próximo.

Até determinado ponto, as siderúrgicas refrearam aumentos de preços diante de uma demanda muito fraca, mas essa política não poderia ser mantida a mais largo prazo. Prova disso, segundo Carlos Loureiro, “é que as indústrias já se preparam para decretar uma alta a partir de 1.º de julho”. O reajuste previsto deve ficar na faixa de 4% a 10%.

Os estoques de minério de ferro vêm caindo nas siderúrgicas, justamente para conter custos e evitar remarcação de preço, mas essa situação deve durar pouco. O Inda informa que a baixa dos estoques é proporcionalmente muito maior nos portos chineses. Embora a China tenha outras opções de abastecimento, o que se espera é que recorra mais ao minério brasileiro, o que significará uma nova puxada nos preços. Isso vem agravar o ambiente de incerteza no setor.

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