Compulsório cai, mas os efeitos serão pequenos

O corte de R$ 16,1 bilhões, aplicável a partir de 15 de julho, vale mais por revelar a política do BC para a moeda

O Estado de S.Paulo

06 de julho de 2019 | 04h00

Por meio da Circular 3.951, o Banco Central (BC) reduziu de 33% para 31% o porcentual de recolhimento compulsório que incide sobre os depósitos a prazo, deixando mais recursos livres, estimados em R$ 16,1 bilhões, para os bancos concederem crédito. Trata-se, pois, de uma decisão positiva de flexibilização monetária, que, em tese, deveria permitir o aumento da oferta de empréstimos a custos menores, não fossem as circunstâncias que limitam o mercado de crédito do País.

A redução do compulsório faz parte da Agenda BC+, destinada a dar eficiência ao mercado bancário, reduzir os custos de transação e criar condições para a expansão do crédito. Em novembro de 2018, o BC já havia reduzido o compulsório sobre os depósitos à vista e sobre os depósitos a prazo (neste caso, de 34% para 33% do valor captado). Um dia antes de editar a Circular 3.951, aprovou a Circular 3.948, cortando as necessidades de capital dos bancos que realizam empréstimos garantidos por imóveis residenciais (home equity).

Mas as medidas já adotadas pelo BC tiveram impacto limitado sobre o mercado. Os juros pouco caíram nos últimos 12 meses. Estes continuam altos e a demanda por crédito evolui lentamente. As ações do BC nada têm a ver com o problema central: o apetite da União pelos recursos disponíveis. As oportunidades propiciadas pelos papéis da dívida pública fazem diminuir a disputa dos bancos por tomadores de crédito.

O volume de recolhimentos compulsórios é da ordem de R$ 452 bilhões, dos quais R$ 248 bilhões relativos aos depósitos a prazo. Um corte de R$ 16,1 bilhões, aplicável a partir de 15 de julho, vale mais por revelar a política do BC para a moeda e o crédito. Como declarou ao Estado o professor do Ibmec Alexandre Espírito Santo, “está ficando cada vez mais claro que todos os canais de política monetária estão estimulativos”.

As condições para um novo ciclo de queda do juro básico começam a ser dadas, como se pode depreender da última ata do Comitê de Política Monetária (Copom). Um novo recuo da Selic poderá ser positivo, se o benefício for repassado para os tomadores de crédito.

Por ora, o alto custo do crédito tem contribuído para o aumento do endividamento das famílias, que evitam tomar crédito. Atividade econômica baixa também reduz a demanda de crédito das empresas.

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