Conab prevê nova safra recorde em 2020

Segundo o boletim Acompanhamento da Safra Brasileira de Grãos da Conab, a produção de grãos de 246,4 milhões de toneladas deverá superar em 1,8% a anterior

O Estado de S.Paulo

19 de novembro de 2019 | 04h00

Em tempos de enfraquecimento da balança comercial, destaca-se a projeção para a safra de grãos 2019/2020 da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), apontando para novo recorde, o que ajudará a impulsionar as exportações de 2020.

Segundo o boletim Acompanhamento da Safra Brasileira de Grãos da Conab, a produção de grãos de 246,4 milhões de toneladas deverá superar em 1,8% a anterior.

Soja e milho lideram as projeções. Com a estimativa de uma produção de 120,9 milhões de toneladas de soja, 5,1% superior à da safra anterior, o Brasil deverá se tornar o maior produtor global do grão, superando os Estados Unidos.

A produção prevista de milho é de 98,4 milhões de toneladas, levemente inferior à da safra 2018/2019, mas não se deve esquecer de que o milho foi a grande estrela da safra de grãos deste ano. Há, ainda, bons prognósticos para as colheitas de amendoim, algodão e arroz e para as culturas de inverno de aveia, centeio e cevada.

O maior trunfo do agronegócio é a alta produtividade das colheitas. Além disso, é relevante o avanço da área plantada. Para a safra 2019/2020, essa área deverá crescer 1,4% ou 900 mil hectares em relação à de 2018/2019, atingindo 64,1 milhões de hectares.

Os indicadores da Conab foram bem recebidos pelos analistas. Novos recordes na produção de grãos serão um fator importante para manter a inflação sob controle, admitindo-se até uma contribuição baixista da produção agrícola. São favoráveis as expectativas para a produção de arroz – em que o Brasil ganha competitividade – e de feijão.

Na maioria absoluta dos produtos, os estoques estão em níveis satisfatórios, o que ajuda eventuais necessidades de ação regulatória pelas autoridades agrícolas. Além disso, haverá fartura de grãos para exportar, lembrando que a balança comercial é dependente das vendas do agronegócio, sem as quais não haveria superávit. Em acréscimo aos itens mais relevantes de exportação, produtos como algodão em pluma têm oferecido contribuição crescente para a expansão das vendas de básicos. Entre 2016 e 2017, segundo o IBGE, o PIB agropecuário cresceu 14,2%. Foi, assim, relevante para o avanço de 1% do PIB. O que se espera é que o bom comportamento das safras volte a reforçar o PIB no ano que vem.

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