Concentração de renda é reflexo da crise no trabalho

O Índice de Gini do rendimento familiar per capita do trabalho subiu para 0,6259 no quarto trimestre de 2018, o 16.º período consecutivo de aumento

O Estado de S.Paulo

21 de março de 2019 | 04h00

Ruim para toda a população, o desastre social causado pela política econômica do governo Dilma foi especialmente nocivo para os que ganham menos. Nunca, nos últimos sete anos, a concentração de renda foi tão acentuada como agora.

O Coeficiente de Gini do rendimento familiar per capita do trabalho subiu de 0,6156, no terceiro trimestre de 2018, para 0,6259, no quarto. Foi o 16.º trimestre consecutivo de aumento, de acordo com levantamento do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre-FGV) publicado pelo Estado. O Coeficiente (ou Índice) de Gini mede a distribuição de renda e varia de zero a 1, e zero indica distribuição rigorosamente homogênea da renda em determinado grupo de pessoas e 1 mostra que um só indivíduo se apropria do rendimento de todo o conjunto.

O coeficiente do último trimestre de 2018 é o mais alto desde 2012, quando o índice começou a ser calculado com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad) Contínua, do IBGE.

O aumento da desigualdade é decorrência da precariedade do mercado de trabalho. Há um paralelismo entre a evolução do Coeficiente de Gini e a da taxa de desocupação aferida pela Pnad Contínua de 2014 a 2018. Ambos crescem de maneira contínua. Já o rendimento real médio no período tem comportamento oposto: cai de maneira quase ininterrupta. Em períodos de deterioração do mercado de trabalho, os trabalhadores que mais têm dificuldade para melhorar ou manter a renda são os menos qualificados. Na crise, os que ganham menos tendem a perder proporcionalmente mais renda.

A isso se somou o efeito do mecanismo de correção do salário mínimo definido no governo Lula. Pela regra, o mínimo é corrigido todo ano com base na inflação do ano anterior e na variação do PIB dos dois anos anteriores. Como o PIB do País encolheu em 2015 e 2016, o reajuste do mínimo correspondeu apenas à inflação. Além disso, a Pnad Contínua vem mostrando o aumento do número de trabalhadores por conta própria e dos subutilizados.

Este é um mercado que reage com lentidão à retomada da economia. Condições econômicas mais favoráveis poderiam melhorar o cenário, mas elas dependem de decisões na esfera política, como as reformas necessárias para equilibrar as contas públicas.

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