Concessão de crédito cai, apesar dos estímulos

São números que, como outras estatísticas, comprovam o efeito da pandemia

Notas & Informações, O Estado de S. Paulo

30 de maio de 2020 | 03h00

A despeito da série de medidas anunciadas pelo Ministério da Economia e pelo Banco Central (BC) para facilitar o acesso de empresas e pessoas físicas aos financiamentos bancários e assim conter o impacto da pandemia sobre a atividade econômica e o orçamento das famílias, as concessões de crédito diminuíram 16,5% em abril na comparação com março. De acordo com estatísticas monetárias e de crédito divulgadas pelo BC, em abril as concessões para as pessoas físicas caíram 13,2% em relação ao mês anterior e para as pessoas jurídicas, 21,1%.

Quando se consideram as concessões no crédito livre – que excluem os recursos liberados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e os da poupança –, a queda é ainda mais acentuada, de 18,4% (recuo de 15,2% no caso das pessoas físicas e de 25,5% no das empresas). Até mesmo o saldo de crédito do cheque especial recuou em abril (redução de 3,8%), para surpresa do BC.

São números que, como outras estatísticas, comprovam o efeito da pandemia – que exigiu o isolamento social de boa parte da população – sobre a economia e a vida das pessoas, com a consequente redução da busca por financiamentos. Entre as empresas, sobretudo as de menor porte, têm sido frequentes os relatos de dificuldades de acesso aos financiamentos, o que também deve ter contribuído para a redução.

É generalizada a queda nas concessões de diversas modalidades de crédito destinadas às empresas. O relatório do Banco Central mostra que as concessões de crédito por meio de desconto de duplicatas e recebíveis diminuíram 44,1% em abril na comparação com março. No desconto de cheques, a queda foi de 42,1% e, na antecipação de faturas de cartão, a redução foi de 61,6%.

Com aumento de 52,5%, o crédito para capital de giro destoou do comportamento generalizado de redução da procura. Esta é a única linha, entre as principais destinadas às empresas, que mostrou aumento em abril e foi a responsável pelo aumento de 1,2% no crédito total (livre e direcionado) para as empresas. “O capital de giro representa cerca de um terço do crédito para pessoa jurídica”, observou o chefe do Departamento de Estatísticas do BC, Fernando Rocha.

Do lado positivo, a taxa média de juros no crédito livre caiu de 33,3% ao ano em março para 31,3% (em abril de 2019 estava em 38,3%). 

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