Concessão rodoviária atrai interesse

Três grupos disputaram o leilão da BR-364/365, vencido pela Ecorodovias, que ofereceu um deságio de 33,14% sobre a tarifa máxima de pedágio definida pela ANTT

O Estado de S.Paulo

01 de outubro de 2019 | 04h00

Uma amostra de que poderá ser bem-sucedido o ambicioso programa de concessões rodoviárias previsto para os próximos anos pelo Ministério da Infraestrutura ficou evidente no leilão da BR-364/365, entre Uberlândia (MG) e Jataí (GO), realizado há alguns dias. Foi o primeiro leilão rodoviário do governo Bolsonaro e mostrou o interesse por concessões bem planejadas, como já se evidenciava nos leilões recentes de terminais portuários, aeroportos e ferrovias.

Três grupos disputaram o leilão da BR-364/365, vencido pela Ecorodovias, que ofereceu um deságio de 33,14% sobre a tarifa máxima de pedágio definida pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). Foram derrotadas as propostas do Grupo Silva e Bertoli, que ofereceu deságio de 18%, e do Consórcio Way-364/365, que aceitaria um deságio de 17%.

Com 437 km de extensão, a rodovia deverá receber investimentos de R$ 4,57 bilhões durante os 30 anos da concessão. Do total investido, R$ 2,06 bilhões deverão ser aplicados em melhorias, duplicações e novas pistas. O compromisso é o de propiciar aos usuários uma rodovia mais segura e de boa qualidade, com duplicação de trechos até o quinto ano da concessão. Além da redução do número de acidentes, será possível cortar os custos excessivos com desgaste de caminhões que transportam carga geral e, em especial, grãos produzidos no Centro-Oeste.

Para 2020 e 2021, o objetivo oficial é promover um amplo conjunto de concessões à exploração privada envolvendo sete lotes rodoviários, o mais importante dos quais deverá ser o da Nova Dutra. A primeira concessão deverá ser a da Rodovia BR-101, em Santa Catarina, seguindo-se a BR-153/414, entre Goiás e Tocantins; a BR-381, entre Minas Gerais e Espírito Santo, uma das mais perigosas do País; a BR-163, no Pará; a BR-116, entre Minas Gerais e o Rio de Janeiro; e a Rodovia Rio-Juiz de Fora.

A retomada dos investimentos em infraestrutura é um dos maiores desafios econômicos dos próximos anos, tais os custos das carências logísticas para as empresas e para a economia. Sem infraestrutura adequada, o produto brasileiro é menos competitivo no exterior, o que dificulta exportações. Afinal, poucos itens da pauta exportadora têm o poder de competição dos itens agrícolas, que ganham mercado mesmo sem rodovias, portos e aeroportos de qualidade.

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