Confiança do comércio cai no fim do ano

Embora a perspectiva do início da vacinação da população contra a covid-19 crie muitas esperanças de que a normalização da atividade econômica e social está próxima, o fim do auxílio emergencial gera dúvidas

Editorial Econômico, O Estado de S.Paulo

30 de dezembro de 2020 | 04h24

Num ano marcado por fortes turbulências, o comércio conseguiu mostrar grande capacidade de recuperação. Nos últimos meses, porém, vem mostrando alguma perda de confiança. Há razões fortes para isso. Embora a perspectiva do início da vacinação da população contra a covid-19 crie muitas esperanças de que a normalização da atividade econômica e social está próxima, o fim, em dezembro, do pagamento do auxílio emergencial gera dúvidas sobre o comportamento da demanda nos próximos meses.

Em dezembro, o Índice de Confiança do Comércio (Icom) medido pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV) caiu 1,8 ponto em relação a novembro, baixando para 91,7 pontos. É a terceira queda mensal consecutiva.

O comércio conseguiu se sobressair na recuperação depois do impacto mais forte da pandemia sobre a atividade econômica, avalia o coordenador da Sondagem do Comércio do Ibre/FGV, Rodolpho Tobler. “Mas a elevada incerteza, o cenário complicado do mercado de trabalho e o final dos auxílios do governo se tornam um desafio para a continuidade dessa retomada.”

Tobler acredita que uma visão mais clara sobre o comportamento da confiança do empresariado do comércio e da atividade do setor só começará a surgir no fim do primeiro trimestre de 2021. Até lá se saberá melhor o efeito do fim do pagamento do auxílio emergencial sobre o consumo e serão conhecidos os primeiros resultados da vacinação contra o coronavírus. Também será possível estimar com mais precisão a taxa de desemprego, que continua a crescer, e avaliar como o governo responderá ao desafio de controle do déficit público

Tudo isso, diz Tobler, “faz com que o consumidor fique cauteloso com compras no fim de ano e preocupado em poupar, pois não sabe como vai ser em 2021”. É isso que o torna menos confiante.

A pesquisa da FGV mostra que, em dezembro, a confiança piorou em três do seis principais índices. Depois do choque inicial da pandemia, um desses índices, o de situação atual, teve recuperação intensa, estimulado, primeiro, pelo consumo de bens essenciais e, depois, pelo aumento da demanda por bens duráveis.

Mas outro índice, o de expectativas, ainda está em nível muito baixo, enquanto o de situação atual começa a piorar.

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