Confiança menor no consumo e no investimento

Diante do aumento da desconfiança, a recuperação da economia parece cada vez mais improvável

Editorial Econômico, O Estado de S. Paulo

26 de maio de 2019 | 05h00

A desaceleração do ritmo da atividade está afetando em grau crescente a confiança de consumidores e de empresários, mostraram indicadores recentes da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e da Confederação Nacional da Indústria (CNI). Não custa lembrar que a desconfiança – exibida no Índice Intenção de Consumo das Famílias, da CNC; no Índice de Confiança do Consumidor (ICC), da FGV; e no Índice de Confiança do Empresário da Indústria da Construção (Icei), da CNI – tolhe decisões de consumo e de investimento, com o risco de agravar uma situação já difícil.

Nos três levantamentos, o que se destaca é que a situação se deteriora há meses, o que caracteriza tendência de declínio.

Especial atenção deve ser conferida à pesquisa da CNC, baseada em 18 mil questionários. As famílias consultadas têm piores perspectivas para o emprego atual, para a perspectiva profissional, a renda atual, a compra a prazo, a perspectiva de consumo e o momento para duráveis. Só foi positivo o item nível de consumo atual, indicando esforço para manter o padrão de vida. Mas, segundo a pesquisa, nem assim se acredita que isso será possível. O texto afirma: “Sob certos aspectos, verifica-se o relativo desalento das famílias no que concerne ao desejo de consumir diante de condições pouco favoráveis no curto prazo”.

O ICC, da FGV, atingiu 86,6 pontos em maio, abaixo da linha de corte de 100 pontos que separa os campos positivo e negativo, refletindo “a insatisfação dos consumidores com a situação atual”, notou a economista Viviane Seda Bittencourt, coordenadora da sondagem. Entre os itens mais preocupantes do ICC está o índice de satisfação com as finanças familiares, que mostra o grau de aperto das famílias.

Já o Icei, da CNI, mostrou a quinta queda consecutiva, mas ainda está no campo positivo. A construção civil perdeu o otimismo constatado entre o final de 2018 e o início de 2019.

Diante do aumento da desconfiança, a recuperação da economia parece cada vez mais improvável. Nem o crédito tem boas perspectivas e está em queda no trimestre em curso, admitiu o presidente do Bradesco, Octavio de Lazari Junior, em entrevista recente. “É mais um ano perdido”, disse.

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