Consumidores evitam a inadimplência

As famílias ainda estão insatisfeitas com as perspectivas profissionais, com o nível de consumo atual e com o nível de consumo futuro

O Estado de S.Paulo

24 de dezembro de 2019 | 04h00

Os consumidores parecem preservar uma boa dose de juízo neste fim de ano: estão consumindo mais, mas sem euforia. É o que mostra a Pesquisa de Intenção de Consumo das Famílias (ICF) de dezembro da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Os dados são, indiretamente, confirmados pelo Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC) da Boa Vista, apontando para leve queda da inadimplência do consumidor na comparação entre outubro e novembro.

Depois de quatro meses consecutivos de alta, houve um pequeno recuo no ICF. Entre novembro e dezembro, caiu 0,8%. As famílias ainda estão insatisfeitas com as perspectivas profissionais, com o nível de consumo atual e com o nível de consumo futuro. Estes são sinais de que a renda, em especial das famílias que recebem menos de 10 salários mínimos por mês, é percebida como inferior às expectativas dos pesquisados.

Dos sete itens que compõem a ICF, três estão acima dos 100 pontos que separam os campos positivo e negativo. A confiança na preservação do emprego atual teve nota de 119,2 pontos, 4,2% mais do que em dezembro de 2018 e 0,6% acima de novembro de 2019.

O item renda atual, com 112,5 pontos, caiu 0,6% em relação a novembro, mas ainda sobe 7,5% sobre dezembro do ano passado. Nos mesmos períodos de comparação, o item perspectiva profissional mostra quedas de 1,3% em relação a 12 meses atrás e 3% em relação a novembro – um indicador bastante negativo.

Na comparação entre dezembro de 2018 e dezembro de 2019, cresceram as pontuações dos itens momento para duráveis e compra a prazo. São sinais de que a queda dos juros já se reflete nas decisões dos consumidores de adquirir bens duráveis, ou seja, bens de maior valor unitário.

Num cenário geral mais favorável ao comércio, quando se espera um volume de vendas do Natal superior ao de 2018, uma certa prudência dos consumidores deve ser vista como ponto positivo. 

De fato, embora tenham caído, os juros continuam muito altos, o que recomenda um endividamento consciente e comedido. Essa postura das famílias às vésperas do primeiro bimestre de 2020, época de gastos com educação, IPTU e IPVA, deve ser decisiva para um ano de retomada sustentável. 

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