Contas cambiais repetem bons resultados

O principal fator de equilíbrio cambial é o saldo positivo da balança comercial, que atingiu US$ 53,6 bilhões em 2018

O Estado de S.Paulo

29 de maio de 2019 | 04h00

Os destaques nas Estatísticas do Setor Externo relativas a abril, divulgadas há pouco pelo Banco Central (BC), foram, no plano positivo, o expressivo volume de investimento direto no País (IDP) e, no negativo, a baixa taxa de rolagem de empréstimos de médio e longo prazos. Mas nem estes nem os demais indicadores da evolução das contas cambiais alteraram a percepção de que o balanço de pagamentos continua sendo um ponto alto da situação macroeconômica, ao contrário do que ocorreu até 2014.

Em abril de 2019, o déficit em conta corrente, item mais relevante do balanço de pagamentos, foi de apenas US$ 62 milhões, resultado quase idêntico ao déficit de US$ 61 milhões registrado em abril de 2018. No primeiro quadrimestre deste ano, esse déficit foi de apenas US$ 8,2 bilhões, inferior ao de US$ 9,1 bilhões observado em igual período de 2018.

Em 12 meses, o déficit corrente foi de US$ 12,4 bilhões em abril de 2018 e de US$ 13,7 bilhões em abril de 2019, mas, como proporção do PIB, manteve-se em 0,73%. Em 2014, o déficit em transações correntes superou US$ 100 bilhões.

O principal fator de equilíbrio cambial é o saldo positivo da balança comercial, que atingiu US$ 53,6 bilhões em 2018 e deverá ser inferior a US$ 50 bilhões neste ano. Quando a economia ganhar força, o saldo poderá cair, mas, por ora, a queda não é relevante.

O que de melhor tem revelado o desempenho externo é o IDP, com entradas de US$ 7 bilhões em abril e US$ 92,5 bilhões (4,96% do PIB) em 12 meses, maior resultado desde maio de 2001. O IDP do primeiro quadrimestre deste ano foi de US$ 28,1 bilhões e superou em 17,5% o de igual período do ano passado.

Com o ambiente internacional mais incerto, o Brasil poderá ter maior dificuldade de acesso a novas linhas. Mas a taxa de rolagem de apenas 43% em abril foi explicada pela alta concentração de vencimentos pelo chefe do Departamento de Estatísticas do BC, Fernando Rocha. Melhor será, agora, cuidar das notas atribuídas pelas agências de classificação de risco para atrair mais recursos.

É provável um aumento do déficit corrente nos próximos anos, mas, por ora, sem riscos de um desequilíbrio semelhante ao do início desta década. Para evitar riscos, o País terá de ser mais atrativo aos investimentos e assegurar mais competitividade à exportação.

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