Contas externas refletem as incertezas

Contudo, números relacionados ao ingresso de investimentos no País podem indicar que a situação parou de piorar

Notas & Informações, O Estado de S. Paulo

01 de julho de 2020 | 03h00

As incertezas lançadas pela pandemia sobre a economia brasileira, associadas às crises política interna e de confiança internacional geradas por atitudes ou omissões do governo Bolsonaro, continuam a afetar os resultados das contas externas. Os investimentos diretos no País (IDP), que ingressavam em volumes expressivos, alcançam valores bem menores do que os contabilizados no ano passado. Em maio, os investimentos diretos somaram US$ 2,552 bilhões, quase 70% menos do que os US$ 8,264 bilhões registrados um ano antes, de acordo com o relatório do setor externo divulgado pelo Banco Central (BC).

No acumulado de 12 meses até maio, o saldo é de US$ 67,495 bilhões, o equivalente a 4,04% do Produto Interno Bruto (PIB). Para o ano, a última estimativa do BC, divulgada em março, é de entrada de IDP no total de US$ 60 bilhões, quase 25% menos do que o valor registrado em 2019 (US$ 78,6 bilhões). Analistas de instituições privadas fazem projeções bem mais modestas, em torno de US$ 40 bilhões, para o IDP em 2020.

Embora bem piores do que os do ano passado, esses números podem demarcar o início de uma nova tendência e indicar que, quanto ao ingresso dos investimentos diretos no País, a situação parou de piorar. O resultado de maio é o menor para o mês desde 2018, mas os valores acumulados até o fim da terceira semana de junho (dia 19), de US$ 2,271 bilhões, já são muito próximos do total do mês anterior. O BC estima que em junho o ingresso de IDP alcance US$ 3,5 bilhões.

Em maio, o País registrou superávit de US$ 1,326 bilhão nas transações correntes, parte do balanço de pagamentos que computa os resultados da balança comercial, os saldos da conta de serviços e os das transferências de renda. É um resultado bem melhor do que o de maio de 2019, quando houve déficit de US$ 1,385 bilhão. Também o resultado dos cinco primeiros meses deste ano, com déficit de US$ 11,334 bilhões, é melhor do que o de igual período de 2019, que teve déficit de US$ 18,339 bilhões.

Os números mais amplos das contas externas continuam igualmente a mostrar os efeitos da pandemia, que fez cair as importações, os gastos com serviços e remessas de lucros e dividendos.

Já os investimentos em carteira registraram saída de US$ 50,9 bilhões no período de 12 meses até maio, a maior da série do Banco Central.

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