Contas não essenciais não foram quitadas

A consequência da inadimplência é o aperto financeiro das empresas, cujos compromissos começam pela folha de pessoal

Notas & Informações, O Estado de S. Paulo

30 de abril de 2020 | 03h00

A reportagem que abria O Estado de domingo 19/4 retratava um dos piores efeitos econômicos da crise do coronavírus: entre fevereiro e março, cresceu de 59 milhões para 91 milhões o número de pessoas que deixaram de pagar alguma conta, segundo o Instituto Locomotiva, do pesquisador Renato Meirelles. Ou seja, instalada a pandemia, houve alta explosiva – de 37% para 58% – da população adulta do Brasil que ingressou na inadimplência.

Meirelles atribui o aumento dos atrasos à falta de poupança financeira dos brasileiros que devem quitar contas corriqueiras como as de eletricidade, água, gás, aluguel e carnês. Em alguns casos, citados na reportagem de Renato Jakitas, de O Estado, pessoas que perderam renda optaram por manter alguma reserva financeira e atrasar pagamentos. O aumento dos depósitos em cadernetas de poupança em março mostra que muitas famílias temem o agravamento da crise e querem ter dinheiro à mão para comprar bens essenciais, como alimentos e remédios.

Diante do temor de dificuldades, cresceu o número de pessoas que passaram a estocar em casa alimentos não perecíveis e itens de higiene e limpeza. Na terceira semana de março, segundo a Consultoria Kantar, aumentaram 47% em relação à semana anterior as compras de papel higiênico; 41% as compras de sabonetes; 40% as de detergentes; e 38% as de água sanitária e alvejantes. Também houve forte alta dos gastos com açúcar, derivados de tomate, iogurte e massas. A pressão da demanda provocou outro fato indesejável: aumentos pontuais de preços acima do esperado.

A consequência da inadimplência é o aperto financeiro das empresas, cujos compromissos começam pela folha de pessoal. Atenuar o impacto da crise sobre famílias e empresas é o objetivo de medidas monetárias e fiscais como a redução do depósito compulsório dos bancos, a abertura de linhas de crédito para pequenas e médias companhias, a criação da renda básica emergencial de R$ 600 para famílias de baixa renda, a possibilidade de redução de jornada de trabalho e de salários, a antecipação de benefícios do INSS e a liberação de novos saques do FGTS, além do adiamento do pagamento de tributos. É, pois, hora de salvar empresas, sem as quais não há emprego.

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