Covid, vacina e demanda mundial de petróleo

Com o avanço da covid e o tempo estimado para a imunização, os piores resultados estão projetados para o início do ano

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

29 de janeiro de 2021 | 03h00

O início da vacinação da população para sua imunização contra a covid-19 instila esperança e confiança com relação ao retorno à normalidade da vida das pessoas e da atividade da economia em seus diferentes segmentos, mas a mudança não será imediata. Até que a segurança sanitária alcance um nível confiável, a evolução da economia mundial continuará precária. E assim será também o consumo mundial de petróleo, de acordo com as mais recentes projeções da Agência Internacional de Energia (AIE).

Haverá um tempo, variável conforme a eficiência e a seriedade dos responsáveis pelas políticas públicas na área de saúde, até se alcançar o grau de imunização que autorize o responsável afrouxamento das medidas de restrição à movimentação das pessoas e ao trabalho em ambientes fechados. E, no momento, o aumento no número de pessoas infectadas e de mortes causadas pela covid-19 e a identificação de novas cepas mais agressivas do que as já conhecidas vêm forçando diversos governos nacionais a reforçar as restrições para conter a pandemia.

É esse quadro – que, de maneira mais ou menos intensa, afeta todos os países – que baliza as projeções da AIE para o consumo de petróleo no mundo ao longo de 2021. Em seu relatório mensal de janeiro, a agência cortou em 280 mil barris por dia (bpd), para 5,5 milhões de bpd, sua projeção de aumento do consumo médio do ano. Assim, a média deve alcançar 96,6 milhões de bpd. No ano passado, o consumo médio diário foi 8,8 milhões de bpd menor do que o de 2019.

A demanda, lembrou a AIE, vinha se recuperando no segundo semestre de 2020, mas se desacelerou em novembro e, em dezembro, passou a cair. Com o avanço da pandemia e o tempo estimado para a imunização da população, os piores resultados estão projetados para o início do ano. Com a evolução da vacinação e a esperada recuperação econômica mais vigorosa, a demanda de petróleo deve se acelerar no segundo semestre.

A oferta mundial, de sua parte, deve aumentar em 1,2 milhão de bpd por dia em 2021, o que é um bom resultado, mas claramente insuficiente para compensar a redução recorde de 6,6 milhões de bpd em 2020. “É possível que seja necessário muito mais petróleo, em razão da melhora de nossa projeção da demanda no segundo semestre”, prevê a AIE.

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