Crédito avança, mas o ritmo ainda é lento

Forte retomada das operações de crédito registrada entre agosto e setembro não se manteve na comparação entre setembro e outubro

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

06 de dezembro de 2019 | 04h00

A forte retomada das operações de crédito registrada entre agosto e setembro não se manteve na comparação entre setembro e outubro – com avanço de apenas 0,3% no estoque total de financiamentos, de R$ 3,36 trilhões para R$ 3,37 trilhões e queda nas concessões (novas contratações de crédito). O resultado mais fraco decorreu da queda da demanda das pessoas jurídicas, que havia assegurado os números positivos observados em setembro. 

Os dados mais positivos são a queda do custo do crédito, a maior disposição de endividamento por parte das pessoas físicas e a ampliação das operações de crédito livre. Como proporção do Produto Interno Bruto (PIB), o crédito ficou estável entre setembro e outubro. No período, a relação crédito/PIB ficou em 47,6%.

Na comparação em períodos de 12 meses, o saldo de crédito livre cresceu 13,4%, para R$ 1,91 trilhão, enquanto o direcionado recuou 1,7%, para R$ 1,47 trilhão. Na mesma base de comparação, as concessões médias avançaram 12,5% no crédito livre e apenas 3,3% no direcionado. Neste caso, o maior declínio está nas operações do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

As empresas reduziram em 5,7% entre setembro e outubro as operações de desconto de duplicatas. Uma das linhas que apresentaram maior acréscimo foi a de financiamento à aquisição de veículos.

As operações com pessoas físicas foram as que mais se destacaram, com aumento dos saldos de 1,1% no mês e de 11,3% em 12 meses, para R$ 1,95 trilhão, contra R$ 1,42 trilhão para pessoas jurídicas. A taxa média de juros cobrada das pessoas físicas no crédito livre caiu de 51,3% ao ano em setembro para 49,7% ao ano em outubro. Segundo a economista Isabela Tavares, da Tendências Consultoria, há espaço para o crescimento da demanda de crédito nos próximos meses, embora tenha havido um pequeno aumento no grau de endividamento das famílias.

O chefe do Departamento de Estatísticas do Banco Central (BC), Fernando Rocha, notou que a evolução do mercado de crédito tem relação com o “crescimento de vagas no mercado de trabalho ao longo do ano e uma economia em recuperação gradual”. Uma queda mais acentuada dos juros, que ainda estão em níveis muito elevados, poderá ajudar muito no crescimento do crédito.

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