Crédito cresce apesar do custo elevado

Nos cálculos do Iedi, 'no terceiro trimestre de 2019 as concessões reais de crédito cresceram 16,3% frente ao mesmo período do ano anterior'

O Estado de S.Paulo

29 de outubro de 2019 | 04h00

As empresas lideraram a demanda de crédito em setembro, mês em que se registraram altas de 2,5% nos saldos e de 7% nas concessões de empréstimos às pessoas jurídicas em relação a agosto. Nas mesmas bases de comparação, os porcentuais relativos às pessoas físicas foram, respectivamente, de 1,1% e de -0,5%.

Há um componente sazonal – a proximidade do fim do ano, quando maiores são as vendas e a necessidade de recursos para financiá-las – na busca de mais recursos pelas pessoas jurídicas. Mas a comparação entre agosto e setembro de 2019 é mais expressiva do que a verificada entre os mesmos meses de 2018, quando o saldo de crédito às companhias avançou 1,9% e as concessões caíram 5,3%.

Indicadores como estes levaram os analistas do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) a afirmar que os dados do Banco Central (BC) sugerem que houve uma reversão da tendência de desaceleração dos novos empréstimos. Nos cálculos do Iedi, “no terceiro trimestre de 2019 as concessões reais de crédito cresceram 16,3% frente ao mesmo período do ano anterior”. E apenas o mês de setembro “registrou um ritmo ainda mais acentuado (+23,5% ante setembro de 2018)”.

Embora com números menos expressivos em setembro, a demanda de crédito das famílias também mostra dados fortes em relação a 2018: em 12 meses, os saldos subiram 9,3% e as concessões, 14,7%.

Os porcentuais vistosos de alta do crédito não alteraram muito a relação entre o crédito total e o Produto Interno Bruto (PIB). Em setembro, os saldos de R$ 3,4 trilhões representavam 47,6% do PIB, alta de apenas 0,4 ponto porcentual, em relação a agosto, e de 0,5 ponto, comparativamente a setembro de 2018. Esses porcentuais chegaram a 53,5% do PIB em 2014.

A recuperação do crédito se verifica apesar dos juros altos cobrados nas operações ativas (crédito aos tomadores) e do recuo do crédito direcionado. Os juros ativos caíram menos do que os juros passivos, pagos aos aplicadores tendo como principal referência a taxa básica de 5,5% ao ano, menor patamar da história. Os juros médios do crédito livre, de 36,9% ao ano em setembro, cederam apenas 1 ponto porcentual em relação a setembro de 2018. Em igual período, o spread (diferença entre os juros ativos e passivos) aumentou 2,2 pontos porcentuais, para 30,8%.

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