Cresce a demanda de crédito das famílias

Mercado de capitais, porém, tem sido mais dinâmico do que os bancos no financiamento das empresas em 2021

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

02 de outubro de 2021 | 03h00

A demanda de crédito das famílias continua crescendo e os bancos têm atendido satisfatoriamente a essa demanda. Mas o mercado de capitais tem sido mais dinâmico do que os bancos no financiamento das empresas em 2021, pois os volumes de títulos de dívida para empresas têm crescido mais do que os empréstimos para pessoas jurídicas concedidos pelo sistema financeiro. Estas são avaliações do chefe do Departamento de Estatísticas do Banco Central (BC), Fernando Rocha, com base em dados da instituição.

No crédito pessoal, o saldo do empréstimo consignado aumentou 1,6% em agosto na comparação com julho e o estoque do não consignado cresceu 4,1%. “Há expansão em todas as modalidades do consignado”, destacou Rocha. Já o saldo do cheque especial aumentou 2,8% em agosto, enquanto o estoque de financiamento de veículos aumentou 1,3%. O aumento no saldo do cartão de crédito, de 1,7%, é, segundo ele, sinal de que as pessoas estão tendo maior disponibilidade para consumo.

Nos últimos 12 meses, o saldo total de crédito tem sido impulsionado pelas famílias. O aumento acumulado até agosto é de 18,8%, enquanto o crédito para as empresas aumentou 12,2%. O endividamento das famílias com o sistema financeiro continua a crescer e ficou em 59,9% da renda em junho, ante 59,2% em maio.

Os juros em geral estão subindo, acompanhando o ciclo de alta da taxa básica, a Selic. A taxa média de juros no crédito livre passou de 28,9% ao ano em julho para 29,9% em agosto; um ano antes, estava em 26,6%.

Mas o spread bancário – diferença entre custo de captação e o que é cobrado dos tomadores de empréstimo – tem-se mantido estável (em 21,7 pontos porcentuais no crédito livre). Também a inadimplência média manteve-se inalterada entre julho e agosto (3,0%).

As concessões de crédito livre aumentaram 5,3% de julho para agosto. Nos 12 meses até agosto, a alta foi de 10,5%. Por atividade econômica, o crédito para o setor agropecuário aumentou 1,6% em agosto; para a indústria, a alta foi de 0,5%; e, para os serviços, de 0,5%.

Um segmento que mostra recuperação mais forte do que outros é o da habitação. A oferta de crédito tem contribuído decisivamente para esse desempenho. Nos 12 meses até agosto, o crédito para habitação no segmento pessoa física aumentou 14,2%.

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