Crescimento oscilante do varejo

Desempenho nacional das vendas no varejo foi positivo em 1,8% entre 2017 e 2018, mas registrou queda de 1,5% entre novembro e dezembro do ano passado

O Estado de S.Paulo

29 de janeiro de 2019 | 04h00

Depois do forte aumento das vendas do comércio varejista em novembro, em decorrência das liquidações da Black Friday, os números de dezembro ficaram abaixo do esperado. Segundo o Indicador Movimento do Comércio, divulgado há poucos dias pela Boa Vista SCPC (Serviço Central de Proteção ao Crédito), da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), o desempenho nacional das vendas no varejo foi positivo em 1,8% entre 2017 e 2018, mas registrou queda de 1,5% entre novembro e dezembro do ano passado.

Entre 2017 e 2018, os melhores resultados foram vistos no item supermercados, alimentos e bebidas, com alta de 2,7%, seguindo-se combustíveis e lubrificantes (+1,3%), móveis e eletrodomésticos (+1,1%) e outros artigos de varejo (+1%). Em igual período, só ocorreu queda em tecidos, vestuários e calçados (-1%).

Na comparação entre dezembro de 2017 e dezembro de 2018, o único item que apresentou queda foi móveis e eletrodomésticos (-2,2%). Na média, houve alta de 0,8% no movimento do comércio. Resultados piores foram registrados entre novembro e dezembro de 2018, período em que a única alta foi observada em tecidos, vestuários e calçados (+0,3%), provavelmente sob influência positiva da compra de presentes no Natal.

Os analistas da Boa Vista têm uma visão favorável para este ano, ressaltando que, “apesar do desempenho tímido nos últimos meses, o indicador segue crescendo pelo segundo ano consecutivo”. Eles notaram que os maiores adversários da recuperação do varejo são “fatores como o alto nível de desocupação e a lenta melhora da atividade”, o que faz prever “um ritmo gradual de recuperação em 2019”.

Outro fator positivo está no aumento do indicador de recuperação do crédito, observado em especial na Região Sul, seguido da Região Sudeste. No Norte e no Nordeste, agravou-se o problema da recuperação de crédito. Também neste caso os economistas da Boa Vista notam que a elevação da oferta de emprego é necessária para uma melhora mais acentuada do indicador.

O que se constata é que, nos vários mercados, quase tudo está na dependência do ritmo da retomada, cujo peso será decisivo para as vendas. Estas terão como estímulo a oferta de bens a preços módicos, viabilizados pela safra agrícola e pela ociosidade das indústrias.

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