Custo elevado tolhe expansão do crédito

Entre junho de 2018 e junho de 2019, enquanto a taxa básica de juros se mantinha em 6,5% ao ano, o juro médio de operações com recursos livres realizadas com pessoas físicas subia 0,1 ponto porcentual, para 53,2% ao ano

O Estado de S.Paulo

31 de julho de 2019 | 04h00

O estoque de operações de crédito do Sistema Financeiro Nacional atingiu R$ 3,3 trilhões em junho, com crescimento nominal de 0,4% no mês e de 5,1% em 12 meses. Ainda mais cresceram as concessões de crédito: 11,6% no mês e 11,9% em 12 meses. O que não mudou é a relação entre o crédito às pessoas físicas e jurídicas e o Produto Interno Bruto (PIB), estável em 47,2% nos meses de abril, maio e junho e apenas levemente superior à de 47% observada em junho de 2018.

O custo dos empréstimos ajuda a explicar por que famílias e empresas evitam o endividamento bancário. Às vésperas de reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central (BC), em que a redução do juro básico é tida como provável pela maioria dos economistas, são escassos os sinais de queda dos juros cobrados pelos bancos e dos spreads (diferença entre o custo de captação e o custo de aplicação dos recursos).

Entre junho de 2018 e junho de 2019, enquanto a taxa básica de juros se mantinha em 6,5% ao ano, a inflação oficial em 12 meses caía de 4,39% para 3,37% e a atividade econômica pouco evoluía, o juro médio de operações com recursos livres realizadas com pessoas físicas subia 0,1 ponto porcentual, para 53,2% ao ano (e o spread subia 2,8 pontos porcentuais).

O peso das pessoas físicas no crédito bancário é crescente – e interessa aos bancos porque os juros são maiores. As famílias ocupam, assim, o espaço que era das empresas. Entre dezembro de 2017 e junho de 2019, o saldo de crédito das pessoas jurídicas diminuiu em termos nominais, para R$ 1,4 trilhão, enquanto o das pessoas físicas cresceu 13%, chegando próximo de R$ 1,9 trilhão. Em vez de ser instrumento apropriado para o desenvolvimento econômico, o crédito acaba sendo tomado como remédio, principalmente em operações caríssimas como o cheque especial.

O alto custo do crédito tem empurrado empresas com melhores perspectivas para o mercado de capitais, no qual podem emitir debêntures ou se capitalizar vendendo ações.

O BC parece alimentar algum otimismo quanto à recuperação do crédito, embora o chefe do departamento de estatísticas do banco, Fernando Rocha, admita que o custo dos empréstimos ainda é muito elevado. Em parte isso se deve, segundo Rocha, à substituição do BNDES por outros bancos como fornecedores de crédito às empresas.

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